Rotas Fluminenses: 490B Miguel Couto x Central via Luís de Lemos

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Percorrer a linha 490B, entre Miguel Couto, em Nova Iguaçu, e a região central do Rio de Janeiro, é atravessar diferentes paisagens e períodos da formação territorial fluminense. O itinerário acompanha antigos caminhos ferroviários da Baixada, atravessa bairros residenciais e áreas industriais, percorre a Rodovia Presidente Dutra e segue pela Avenida Brasil até alcançar a região portuária e a Central do Brasil. Ao longo da viagem, ferrovias, rios, estradas e grandes corredores metropolitanos revelam as transformações que conectaram as localidades iguaçuanas à capital.

A linha 490B integra o sistema de transporte coletivo urbano intermunicipal do Estado do Rio de Janeiro, estabelecendo a ligação entre Miguel Couto, em Nova Iguaçu, e o Terminal Rodoviário Coronel Américo Fontenelle, na região central da capital. Operada pela Transportadora Tinguá, seu itinerário percorre importantes eixos de circulação da Baixada Fluminense e da Zona Norte carioca, passando por áreas residenciais, comerciais, industriais e logísticas. A configuração do serviço permite compreender sua importância nos deslocamentos cotidianos entre os municípios da região metropolitana e o Centro do Rio de Janeiro. Foto: Bruno Mendonça

Na primeira parte do percurso, a Estrada Luís de Lemos e a Avenida Henrique Duque Estrada Mayer conduzem o ônibus por localidades cuja formação está relacionada à antiga malha ferroviária da Estrada de Ferro Rio d'Ouro e da Linha Auxiliar. Em Ambaí, Parque Ambaí e nas proximidades de Santa Rita, os vestígios dos antigos ramais ferroviários ajudam a reconhecer os caminhos que participaram da expansão urbana de Nova Iguaçu. Mais adiante, a Rodovia Presidente Dutra amplia a escala do deslocamento, atravessando áreas industriais e bairros de Nova Iguaçu, Mesquita, Belford Roxo e São João de Meriti.

Na capital, a conexão entre a Via Dutra e a Avenida Brasil, no Trevo das Margaridas, marca a transição para um dos principais corredores rodoviários do Rio de Janeiro. O itinerário acompanha bairros como Parada de Lucas, Cordovil, Penha, Olaria, Ramos, Bonsucesso, Manguinhos, Benfica e São Cristóvão, onde a presença de ferrovias, instalações industriais, conjuntos habitacionais e estruturas logísticas evidencia diferentes etapas da expansão urbana carioca.

Na aproximação do Centro, a viagem passa pela Avenida Francisco Bicalho e pelo Canal do Mangue, alcançando a região da Central do Brasil e os antigos caminhos de circulação entre a área portuária e o núcleo histórico da cidade. O destino, no Terminal Rodoviário Coronel Américo Fontenelle, está inserido em um território marcado pela história ferroviária, pelo comércio, pelo trabalho portuário e pela formação de importantes espaços de moradia popular, como o Morro da Providência.

Mais do que uma ligação entre Nova Iguaçu e a capital, a 490B constitui um percurso de observação das transformações metropolitanas, permitindo acompanhar como antigas ferrovias, estradas, rios, indústrias e terminais de transporte participaram da construção das conexões entre a Baixada Fluminense e o Rio de Janeiro.


A codificação da linha 490B corresponde à categoria de serviços que conectam bairros ou distritos da Baixada Fluminense ao Centro do Rio de Janeiro. O prefixo 4XX identifica ligações entre bairros ou distritos e a região central de outro município, sem passar pelo centro da cidade de origem. A letra B distingue as linhas que interligam localidades da Baixada Fluminense à capital fluminense pelo corredor da Rodovia Presidente Dutra. Foto: Hanry Noronha e Silva

A linha 490B percorre diferentes paisagens da Baixada Fluminense e da Zona Norte carioca até alcançar a região portuária do Rio de Janeiro. Partindo de Miguel Couto, em Nova Iguaçu, o ônibus atravessa bairros formados em torno das antigas ferrovias, acompanha importantes eixos rodoviários metropolitanos e passa por áreas industriais, residenciais e comerciais que ajudam a compreender a expansão urbana da Região Metropolitana.

O itinerário pela Estrada Luís de Lemos e pela Rodovia Presidente Dutra aproxima localidades cuja integração com a capital foi construída ao longo de diferentes períodos. Na segunda metade da viagem, a Avenida Brasil conduz o passageiro por bairros marcados pela atividade industrial, pelos aterros da Baía de Guanabara e pelas sucessivas intervenções na infraestrutura de transportes, até a chegada ao Terminal Rodoviário Coronel Américo Fontenelle, no Centro do Rio de Janeiro.


MIGUEL COUTO: UMA PARTIDA SOBRE ANTIGOS CAMINHOS FERROVIÁRIOS

A viagem começa na Rua Marli Pereira de Carvalho, junto ao local conhecido como Terminal Rodoviário de Miguel Couto. Embora hoje funcione como ponto de partida dos ônibus, o espaço ocupa uma área associada à antiga malha ferroviária da região. Nas proximidades existia uma estação que atendia ao bairro, posteriormente demolida, vinculada ao traçado do Ramal de Jaceruba, da Estrada de Ferro Rio d'Ouro.



Após a demolição da antiga estação ferroviária, em 2002, a área passou por um processo de reorganização urbana, com intervenções que contemplaram a destinação do espaço à concentração das linhas de ônibus que atendiam Miguel Couto. A iniciativa contribuiu para reunir em um mesmo local os coletivos que, até então, realizavam paradas de maneira dispersa pelas ruas do centro do distrito, muitas vezes em pontos improvisados. Apesar dessa reorganização, o espaço conhecido como Terminal Rodoviário de Miguel Couto não dispõe da infraestrutura característica de um terminal consolidado. A ausência de instalações adequadas para o embarque, o desembarque e a permanência dos passageiros mantém em evidência a necessidade de melhorias nas condições de atendimento. Assim, embora desempenhe um papel importante na organização do transporte coletivo local, o terminal ainda apresenta limitações que contrastam com sua função de concentrar as linhas de ônibus e atender ao fluxo diário de passageiros. Foto: Nova Iguaçu Antigo

Deixando o terminal, seguimos pela Rua Cameron em direção a Ambaí e ao Parque Ambaí. O percurso acompanha uma área cuja ocupação se relaciona à expansão ferroviária e à abertura de caminhos que conectaram os núcleos suburbanos de Nova Iguaçu.


AMBAÍ E PARQUE AMBAÍ

A chegada à Rua Hermelinda e a aproximação dos trilhos da antiga Estrada de Ferro Melhoramentos revelam a importância das ferrovias na formação dessa parte da Baixada Fluminense. Inaugurada em 1898, a linha ligava a região de Japeri à Mangueira, alcançando posteriormente a estação de Barão de Mauá. Sua implantação contribuiu para estabelecer conexões entre localidades afastadas dos núcleos urbanos mais antigos e os principais centros de circulação de pessoas e mercadorias.

A paisagem ferroviária também foi marcada pela ligação Ambaí–São Bento, que conectava a estação de Ambaí, na Linha Auxiliar, à região de São Bento, em Duque de Caxias, onde havia integração com a Estrada de Ferro Leopoldina. O traçado atravessava a antiga malha da Rio d'Ouro na região de Miguel Couto e integrava diferentes sistemas ferroviários da Baixada. A supressão desse serviço, na década de 1960, acompanhou o processo de desativação de ramais que haviam desempenhado papel importante na organização territorial da região.


O Ramal São Bento–Ambaí estabeleceu uma importante conexão entre a Estrada de Ferro Leopoldina e a antiga malha da Estrada de Ferro Melhoramentos do Brasil, posteriormente incorporada à Central do Brasil. O corredor atendeu ao transporte de cargas e à logística de combustíveis da Refinaria de Duque de Caxias (Reduc). A implantação de um oleoduto até Japeri, por volta de 1980, reduziu a importância dos trens-tanque. Nas décadas seguintes, a deterioração da via permanente e a expansão urbana contribuíram para o declínio das operações. Com a perda de sua função logística, o ramal deixou marcas na história ferroviária da Baixada Fluminense. Foto:Bruno R. Araújo

A abertura da Estrada do Ambaí, atual Avenida Henrique Duque Estrada Mayer, reforçou a ligação rodoviária entre Nova Iguaçu e Miguel Couto, ampliando as possibilidades de deslocamento e favorecendo a consolidação das ocupações existentes ao longo do caminho.

Em 1999, a divisão administrativa da região estabeleceu a separação entre Ambaí e Parque Ambaí, utilizando a ferrovia como referência territorial. A oeste dos trilhos ficou Ambaí; a leste, Parque Ambaí, conforme o Decreto Municipal nº 6.083. A antiga linha férrea, portanto, não representa apenas uma marca da infraestrutura de transportes: também participa da delimitação dos bairros atuais.


PELA ESTRADA LUÍS DE LEMOS ATÉ A POSSE

De frente para a ferrovia, entramos à esquerda na Rua Doutor Borgueth, atravessamos a passagem de nível e alcançamos a Vila Bela Vista. A partir daí, seguimos pela Estrada Luís de Lemos, atravessando o Carmari até chegar à Posse.


A passagem de nível da Estrada Luís de Lemos evidencia os desafios da convivência entre o transporte rodoviário e a circulação ferroviária de cargas na Baixada Fluminense. Os cruzamentos entre trilhos e vias urbanas exigem atenção redobrada de motoristas e pedestres, especialmente diante dos riscos associados à passagem de composições ferroviárias. Os acidentes registrados no local reforçam a importância da sinalização e das medidas de segurança, além de exporem os conflitos entre a infraestrutura ferroviária e a mobilidade cotidiana da população. Foto: Pablo Jacob

A Estrada Luís de Lemos liga a região da Posse a Miguel Couto, atravessando áreas residenciais e comerciais de bairros como Carmari, Vila Borgerth e Nova América. Seu nome homenageia Antônio Luiz de Lemos, antigo morador da região da Fazenda da Posse que cultivava mandioca, arroz, feijão e laranja em seu sítio, destinando parte da produção à comercialização.

Atualmente, a estrada constitui um corredor de entrada e saída de Miguel Couto e de conexão com outras localidades, atendendo ao tráfego geral e a itinerários de ônibus municipais e intermunicipais. Por ela circulam serviços com destino ao Centro de Nova Iguaçu, Vila de Cava, Pavuna, Edson Passos, Terminal Margaridas e Centro do Rio de Janeiro. incluindo serviços expressos e paradores. Ao longo do percurso, a ocupação urbana combina comércio de proximidade, serviços e moradias.

Na Posse, acessamos a Avenida Henrique Duque Estrada Mayer e seguimos até a Avenida Governador Roberto Silveira. A partir das proximidades do Viaduto da Posse, essa avenida conduz ao Centro de Nova Iguaçu, terminando junto ao Terminal Rodoviário e sob o Viaduto Padre João Musch, na esquina com a Avenida Marechal Floriano Peixoto.


RJ-111: UM EIXO DE LIGAÇÃO COM O NORTE DE NOVA IGUAÇU

A Avenida Henrique Duque Estrada Mayer, antiga Estrada do Ambaí, integra o traçado da RJ-111 e constitui um importante corredor viário de Nova Iguaçu. Partindo da região da Posse, onde está localizado o Hospital Geral de Nova Iguaçu, conhecido como Hospital da Posse, a via articula áreas residenciais, estabelecimentos comerciais e equipamentos públicos, relacionando-se a localidades como Juriti, Três Corações, Parque Flora e Ambaí.

A região integra um eixo de ligação com o interior do município, historicamente associado aos caminhos que conectavam a antiga sede de Iguaçu, na atual localidade de Iguaçu Velho, à área de Maxambomba, que se consolidou como a atual sede municipal. Nesse contexto, a Estrada Zumbi dos Palmares, também identificada como RJ-111, liga a região central de Nova Iguaçu a Tinguá.

A implantação das ferrovias no século XIX modificou os deslocamentos regionais, com a Estrada de Ferro Rio d’Ouro e seus ramais atendendo localidades que, décadas depois, perderiam parte dessas conexões ferroviárias. Com a evolução da infraestrutura rodoviária, os caminhos entre povoados e antigas estações passaram a integrar a circulação de automóveis, caminhões e ônibus.


Santa Rita e Monte Castelo integram a história da expansão territorial de Nova Iguaçu, marcada pelos antigos caminhos terrestres, pela ferrovia e pela industrialização. A Estrada do Ambaí, importante ligação entre a antiga Vila de Iguaçu e Maxambomba, antecedeu a implantação da Linha Auxiliar, cuja estação de Santa Rita foi inaugurada em 1905 e renomeada Engenheiro Rocha Freire em 1957. A ferrovia modificou a circulação local, estabelecendo cruzamentos em nível com caminhos preexistentes. Ao longo do século XX, Santa Rita também se consolidou como área industrial, incluída entre as Zonas de Uso Predominantemente Industrial (ZUPIs) em 1983. Atualmente, o bairro reúne atividades produtivas, comércio e áreas residenciais, refletindo as transformações econômicas e urbanas da Baixada Fluminense. Foto: Wallace Veloso

Atualmente, linhas municipais conectam a região ao Centro de Nova Iguaçu e a bairros como Santa Rita, Monte Castelo, Amaral, Cobrex, Nova América, Nova Brasília e Bairro Botafogo, além de localidades como Miguel Couto, Vila de Cava e Rio d’Ouro. Nesse contexto, a linha 490B participa da dinâmica de mobilidade do município, utilizando a malha viária que conecta bairros e localidades aos principais corredores metropolitanos.


PELA VIA DUTRA: DE NOVA IGUAÇU ÀS FRONTEIRAS DA CAPITAL

Depois de atravessar o Viaduto da Posse sobre a Rodovia Presidente Dutra, chegamos a Moquetá. O itinerário passa por vias locais que dão acesso à Avenida Doutor Salles Teixeira, utilizada para alcançar a BR-116. A partir daí, seguimos pela Rodovia Presidente Dutra em direção ao Trevo das Margaridas, na conexão com a BR-101, correspondente à Avenida Brasil no trecho carioca.

Em Nova Iguaçu, o percurso atravessa Moquetá e chega ao Centro após a ponte sobre o Rio Botas. Mais adiante, a passagem pela Rua Frederico de Castro Ferreira marca a chegada à região da Califórnia. Continuando pela rodovia, alcançamos Vila Nova, nas proximidades da Rua Oscar Soares, e deixamos o município depois de cruzar o Rio da Prata.

Atravessamos então uma sequência de bairros que evidencia a continuidade da ocupação urbana entre os municípios da Baixada. Em Mesquita, passamos por Jacutinga e pelo Bairro Industrial, chegando à Rua Coelho da Rocha, nas proximidades do viaduto que conecta a região a Belford Roxo. O trajeto prossegue pelo BNH até a travessia do Rio Sarapuí.


Entre Vila Nova e Prata a Rodovia Presidente Dutra atravessa uma paisagem marcada pela expansão urbana e pela integração viária da Baixada Fluminense. A Avenida Carlos Marques Rollo concentra atividades comerciais e conecta-se a importantes acessos, como a Rua Oscar Soares e a Estrada Dr. Plínio Casado, integrantes da RJ-105. No sentido Rio de Janeiro, a sucessão territorial evidencia a presença da Linha Auxiliar da antiga, seguida pela entrada em Belford Roxo. Mais adiante, a travessia do Rio da Prata marca a transição para Mesquita. Foto: Wallace Velloso

A Rodovia Presidente Dutra, entre o Moquetá, a Vila Nova, o bairro Industrial e o BNH, revela uma paisagem marcada pela integração entre infraestrutura rodoviária, atividades econômicas e ocupação urbana na Baixada Fluminense. Diferentemente da Avenida Henrique Duque Estrada Meyer e da Estrada Luís de Lemos, percorridas anteriormente, a BR-116 amplia a escala do deslocamento, conectando a circulação local aos fluxos rodoviários de alcance nacional.

Nas proximidades do Moquetá, o Rio Botas introduz a dimensão hidrográfica ao percurso. Mais adiante, na região da Vila Nova e do bairro Industrial, o Rio da Prata integra a leitura territorial de uma área onde espaços residenciais, estabelecimentos comerciais e instalações produtivas convivem junto à rodovia.

O traçado da Dutra também se relaciona com os limites municipais. O Rio da Prata constitui referência na divisa entre Nova Iguaçu e Mesquita, enquanto a rodovia acompanha parte do limite entre Mesquita e Belford Roxo. Na aproximação do BNH, o Rio Sarapuí completa esse quadro geográfico, integrando a rede de drenagem regional e a delimitação territorial entre Mesquita e São João de Meriti.

Para o passageiro, a continuidade das construções nem sempre evidencia essas fronteiras. A viagem, entretanto, permite observar como rios, bairros e corredores rodoviários se articulam na organização espacial da Baixada Fluminense, onde mobilidade, urbanização e geografia compõem uma mesma paisagem metropolitana.


ROCHA SOBRINHO: INDÚSTRIA, FERROVIA E LOGÍSTICA

A região de Rocha Sobrinho, desenvolveu-se entre a Rodovia Presidente Dutra e a Linha Auxiliar. Essa posição favoreceu a instalação de indústrias e a integração de suas atividades ao transporte ferroviário. Na década de 1930, empresas como a Companhia Cerâmica e a Companhia Gamellin dispunham de desvios conectados à linha principal, facilitando a movimentação de mercadorias.

Com a transformação econômica do território, Rocha Sobrinho consolidou sua função logística por meio dos terminais ferroviários de cargas e do Terminal Multimodal São Geraldo (TMM), conhecido como porto seco. Essa estrutura alfandegada permite operações de armazenagem e despacho aduaneiro de mercadorias de importação e exportação, complementando o transporte ferroviário e rodoviário.


A reativação do Terminal São Geraldo (TSG), em Rocha Sobrinho, ampliou a capacidade de armazenagem da MRS Logística no estado do Rio de Janeiro. A instalação passou a atender operações ferroviárias envolvendo produtos siderúrgicos, cimento e cargas conteinerizadas, com possibilidade de expansão dos fluxos de transporte. O terminal conta com três ramais ferroviários e estrutura para armazenagem coberta e em pátio pavimentado. Sua operação também contempla a integração com o Terminal Multimodal São Geraldo (TMM), permitindo associar o transporte ferroviário aos serviços rodoviários e às operações aduaneiras relacionadas ao comércio exterior. Entre as possibilidades logísticas está o atendimento a cargas com origem ou destino em Belo Horizonte, além da conexão com os portos fluminenses. Dessa forma, o TSG integra a rede operacional da MRS como ponto de movimentação e apoio à distribuição de mercadorias. A proximidade com a Via Dutra permite articular os fluxos ferroviários às rotas rodoviárias regionais e nacionais, enquanto a conexão com os terminais portuários amplia as possibilidades de movimentação de cargas. Essa estrutura reforça o papel de Rocha Sobrinho como ponto de convergência entre os modais ferroviário e rodoviário. Foto: Bruno R. Araújo

A articulação entre ferrovia, rodovia e instalações logísticas evidencia a importância da infraestrutura de transportes para a formação industrial e a evolução econômica local. Atualmente, Rocha Sobrinho mantém relevância na cadeia de cargas da Baixada Fluminense, conectando diferentes modais e atividades produtivas.

Já em São João de Meriti, chegamos ao bairro Grande Rio, atravessamos Coelho da Rocha e cruzamos o Ramal de Belford Roxo, operado pela concessionária Trens RJ. O percurso passa por Vila Rosali e alcança Jardim Meriti após o acesso à Rua Pernambucana.

Próximo aos limites com a capital fluminense, os acessos da RJ-085 (Avenida Automóvel Clube) e da Estrada São João–Caxias concentram fluxos provenientes de diferentes setores da Baixada. Ao longo da Avenida Automóvel Clube, em São João de Meriti, destacam-se o Centro, Jardim José Bonifácio e Vilar dos Teles; em Belford Roxo, Santa Tereza, Jardim Gláucia, Jardim Redentor e Parque São José. Esses corredores também articulam deslocamentos de bairros como Pavuna, Anchieta, Tomazinho, São Mateus e Engenheiro Belford.

A convergência do tráfego local e intermunicipal nos acessos à Rodovia Presidente Dutra provoca congestionamentos nos horários de pico, agravados pelos cruzamentos de faixas para os acessos à RJ-071 (Linha Vermelha) e pela redução de faixas na conexão com a Avenida Brasil, que intensificam os conflitos entre os fluxos rodoviários.


TREVO DAS MARGARIDAS: O ENCONTRO ENTRE A DUTRA E A AVENIDA BRASIL

Na capital, a linha chega à Pavuna e passa pela área do Distrito Industrial. Nas proximidades começa o trecho da Via Expressa Presidente João Goulart, a Linha Vermelha, enquanto o ônibus prossegue em direção ao Parque Colúmbia, entre o viaduto da Avenida Coronel Phidias Távora e o Rio Acari.

Depois da travessia do Rio Acari, chegamos a Irajá, onde se encontram instalações da Polícia Rodoviária Federal e o Trevo das Margaridas, um dos principais entroncamentos da malha viária carioca. Nesse ponto, a Rodovia Presidente Dutra se conecta à Avenida Brasil, dando continuidade à viagem em direção ao Centro.


O Terminal Margaridas ampliou gradualmente sua cobertura intermunicipal, atendendo localidades de Mesquita, como Chatuba e Edson Passos; de Nova Iguaçu, incluindo Miguel Couto, Austin e Cabuçu; e de São João de Meriti, com Coelho da Rocha e Éden. A expansão alcançou ainda Queimados, Nova Aurora, em Belford Roxo, e Nilópolis, cuja ligação atende ao Shopping Grande Rio, em São João de Meriti, passando pela região do Km 2,5 da Rodovia Presidente Dutra. Para viabilizar essa integração, o DETRO-RJ criou versões parciais de linhas originalmente destinadas ao Centro do Rio, estabelecendo o terminal como ponto de conexão com o BRT Transbrasil, enquanto os serviços tradicionais diretos foram mantidos como alternativa aos passageiros. Foto: Iago Campos

O Trevo das Margaridas consolidou-se como importante entroncamento rodoviário do Rio de Janeiro com a inauguração da nova Rodovia Rio–São Paulo, atual Rodovia Presidente Dutra (BR-116), em 1951. A estrutura estabeleceu a conexão entre a rodovia e a Avenida Brasil, articulando os deslocamentos entre a capital, a Baixada Fluminense e o eixo de ligação com São Paulo.

A Avenida das Bandeiras integrou o processo de expansão da infraestrutura viária carioca, acompanhando a abertura de novos acessos e a ocupação urbana e industrial. Em 1961, sua incorporação à Avenida Brasil consolidou a continuidade desse corredor até Santa Cruz, ampliando a articulação entre diferentes regiões da cidade e os principais eixos rodoviários.

Décadas depois, o entorno das Margaridas recebeu uma nova função com a implantação do Terminal Margaridas, concebido para integrar linhas intermunicipais da Baixada Fluminense ao sistema BRT Transbrasil. Inaugurado em março de 2026, o equipamento, oficialmente denominado Terminal BRT Metropolitano Pedro Fernandes, passou a organizar a conexão entre os ônibus metropolitanos e o transporte de alta capacidade da capital.


AVENIDA BRASIL: O CORREDOR INDUSTRIAL DA ZONA NORTE

Acessamos a Avenida Brasil no sentido Centro. Depois de passar pelas torres de transmissão da Light, chegamos a Parada de Lucas, onde a via cruza a Estrada de Ferro Leopoldina nas proximidades da estação ferroviária do bairro.

Nesse trecho, a via apresenta pistas centrais destinadas ao tráfego de passagem e pistas laterais que permitem o acesso aos bairros e às ruas adjacentes. A paisagem urbana é marcada pela proximidade de áreas residenciais, conjuntos habitacionais e ocupações que se desenvolveram junto ao corredor 
rodoviário.


Ao avançar em direção ao Trevo das Missões, a viagem alcança o Complexo de Israel, denominação associada ao conjunto de comunidades da região de Cordovil e Vigário Geral, entre elas Cidade Alta, Pica-Pau e Cinco Bocas. A área se caracteriza pela ocupação urbana densa, articulada aos acessos da Avenida Brasil e da antiga Estrada Rio–Petrópolis, atual Rodovia Washington Luís. O Trevo das Missões constitui um importante ponto de conexão entre esses eixos, permitindo os movimentos entre a Avenida Brasil, a Estrada do Porto Velho e a Washington Luís.


Na chegada ao Trevo das Missões, em Cordovil, destaca-se o posto do Batalhão de Policiamento em Vias Expressas (BPVE), localizado junto a um dos acessos à Cidade Alta, no Complexo de Israel. Nas proximidades, também é comum a presença de equipes do RECOM (Rondas Especiais e Controle de Multidão), unidade da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ) especializada em policiamento ostensivo tático motorizado, abordagens preventivas e repressivas, além de ações de controle de multidões. Sua atuação complementa o policiamento territorial, com foco na prevenção de delitos e no apoio a operações em áreas de maior complexidade operacional. Foto: PMERJ

Seguimos pela Avenida Brasil e atravessamos Penha Circular, após a ponte sobre o Rio Irajá. Até a altura da Avenida Lobo Júnior, predominam estabelecimentos industriais e logísticos voltados para a circulação de mercadorias. Na sequência, chegamos à Penha, onde o eixo da avenida mantém características semelhantes, com atividades econômicas instaladas ao longo da via e áreas residenciais distribuídas pelo interior dos bairros.


OLARIA, RAMOS E BONSUCESSO: ENTRE A INDÚSTRIA E A CIRCULAÇÃO METROPOLITANA

Deixando a Penha para trás, atravessamos Olaria e Ramos, bairros cuja formação está relacionada à expansão ferroviária, à ocupação residencial e ao desenvolvimento de atividades comerciais e industriais. Do outro lado da Avenida Brasil, estende-se o Complexo da Maré, conjunto de comunidades cuja urbanização acompanhou o crescimento da Zona Norte e a expansão dos eixos rodoviários. Entre suas localidades, destacam-se Parque União, Nova Holanda, Rubens Vaz, Parque Maré, Baixa do Sapateiro e Morro do Timbau, cada qual com sua trajetória de ocupação e consolidação urbana.

Após passarmos sobre o rio Ramos e a Estação BRT Rubens Vaz chegamos a Bonsucesso, onde a Avenida Brasil atravessa uma faixa marcada por estabelecimentos industriais e logísticos, transportadoras, depósitos e empresas instaladas junto às pistas. Mais para o interior, o tecido urbano reúne áreas residenciais, comércio de bairro e serviços associados à circulação cotidiana de trabalhadores.

Na altura do viaduto da Avenida Governador Carlos Lacerda, a Linha Amarela, chegamos a Manguinhos. O percurso passa pela Fundação Oswaldo Cruz, marco da presença institucional e industrial nessa parte da cidade.

Também atravessamos o Canal do Cunha, associado à drenagem da região e à confluência dos rios Jacaré e Faria. Nas proximidades, o Conjunto Nelson Mandela ocupa uma área transformada por aterros, anteriormente marcada por terrenos alagadiços e pela antiga referência geográfica da Praia Rasa.

Entre Manguinhos e Benfica, o ônibus passa sob o viaduto da linha ferroviária cargueira que liga Japeri a Arará. A estrutura, construída em 1974, substituiu a antiga passagem de nível, separando os fluxos rodoviários e ferroviários em um trecho de intensa circulação.


BENFICA, SÃO CRISTÓVÃO E A CHEGADA À REGIÃO PORTUÁRIA

Deixando para trás Manguinhos, o itinerário prossegue pela Avenida Brasil em direção a Benfica, atravessando uma região marcada pela presença de instalações industriais, depósitos e estruturas logísticas. Ao longo do percurso, a proximidade entre as pistas expressas, os acessos locais e as áreas urbanizadas evidencia a importância desse corredor para a circulação de mercadorias e os deslocamentos cotidianos na Zona Norte carioca.


Na altura de Benfica, a viagem passa sob a estrutura elevada da Linha Vermelha, cujo traçado cruza a Avenida Brasil em diferentes níveis. O conjunto viário chama a atenção pela extensão do tabuleiro de concreto e pela sucessão de pilares e vigas que sustentam as pistas, compondo uma paisagem marcada pela sobreposição de grandes eixos rodoviários. Inaugurada por etapas, a Linha Vermelha teve sua ligação até a Rodovia Presidente Dutra concluída em 1994, consolidando uma alternativa expressa para os deslocamentos entre a Baixada Fluminense, o Centro e outras regiões da cidade. Foto: George Video Tube

A continuidade do trajeto conduz a São Cristóvão, onde a Avenida Brasil se aproxima dos acessos ao Viaduto do Gasômetro. Essa estrutura elevada organiza os movimentos entre a avenida, a Linha Vermelha, a região central e a Zona Portuária. O traçado, sustentado por pilares de concreto e composto por rampas e pistas em diferentes níveis, reflete a complexidade da infraestrutura rodoviária implantada para distribuir o tráfego entre os principais corredores da metrópole.


DA AVENIDA BRASIL À CENTRAL DO BRASIL: O ACESSO PELO CANAL DO MANGUE

Depois de atravessar os bairros da Zona Norte e passar pela região do Caju, seguimos pela Avenida Brasil em direção ao Centro. Na altura do Terminal Gentileza, acessamos a Avenida Francisco Bicalho, importante corredor de ligação entre a Zona Norte, a região portuária e o Centro da cidade.

A partir daí, acompanhamos o Canal do Mangue, cuja presença está diretamente relacionada à história da urbanização carioca e às intervenções realizadas para controlar as áreas alagadiças que caracterizavam essa parte da cidade. O canal integra um sistema de drenagem implantado ao longo de diferentes períodos, associado à transformação da antiga paisagem de manguezais e terrenos inundáveis em áreas destinadas à ocupação urbana e à circulação.

Inaugurada em 1926, a Estação Barão de Mauá, também conhecida como Estação Leopoldina, foi um importante terminal ferroviário do Rio de Janeiro, com serviços suburbanos e de longo percurso para localidades do interior fluminense e outros estados. Na Avenida Francisco Bicalho, uma passagem em nível permitia a travessia dos trens que partiam da estação em direção ao Ramal de Praia Formosa, conectando o terminal ao pátio ferroviário e às instalações destinadas às operações de carga. Essa ligação constituía parte da infraestrutura ferroviária associada à Estação Barão de Mauá. Foto: Vander Teixeira

Seguimos até o Trevo das Forças Armadas, onde acessamos a Avenida Presidente Vargas. Esse eixo monumental, aberto na década de 1940, modificou profundamente a configuração do Centro do Rio, estabelecendo uma ampla ligação entre a região portuária e a área da Cidade Nova.

Na sequência, deixamos a avenida principal e entramos na Rua General Caldwell, seguindo pela Rua Mancorvo Filho até a Praça da República. Nesse trecho, a paisagem urbana apresenta uma combinação de edifícios históricos, equipamentos públicos, estabelecimentos comerciais e vias que preservam parte da configuração anterior às grandes intervenções viárias do século XX.

Após cruzarmos novamente a Avenida Presidente Vargas, na altura da Central do Brasil, passamos pela Praça Cristiano Otoni, ao lado da estação do VLT. A proximidade com a Estação Central do Brasil evidencia a concentração de diferentes modais de transporte nessa área, que permanece como um dos principais pontos de integração da mobilidade metropolitana.

Por fim, seguimos até a Rua Barão de São Félix, por onde acessamos o Terminal Rodoviário Coronel Américo Fontenelle. A linha utiliza a plataforma C, primeira da fila, compartilhando suas baias com as variantes executivas.


CENTRAL DO BRASIL E O ENTORNO DO MORRO DA PROVIDÊNCIA

A chegada ao terminal acontece em uma área cuja história está associada ao crescimento do comércio, à expansão ferroviária e à formação das primeiras ocupações populares nas encostas e ruas próximas ao Centro. Nas proximidades está o Morro da Providência, tradicionalmente reconhecido na historiografia como a primeira favela do Brasil, também conhecido historicamente como Morro da Favela.

No fim do século XIX, a instalação da Estação Central e o crescimento das atividades comerciais estimularam a abertura e a consolidação de ruas no entorno. As antigas ruas do Príncipe e da Princesa, hoje Senador Pompeu e Barão de São Félix, reuniam estabelecimentos comerciais, oficinas de conserto de carroças e armazéns de secos e molhados. A proximidade entre a estação ferroviária, o porto e o comércio atacadista favorecia a circulação de trabalhadores e mercadorias.

Os trens-unidade elétricos das séries 700 e 900 integraram a renovação da frota de subúrbios da RFFSA no Rio de Janeiro, no início dos anos 1980. Fabricados respectivamente pela Mafersa, em parceria com a Hitachi, e pela Cobrasma, com tecnologia da Francorail, eram compostos por quatro carros, com estrutura em aço inoxidável e velocidade máxima de 90 km/h. Incorporados à operação em 1981, passaram posteriormente à CBTU e à Flumitrens. Parte da Série 900 foi modernizada no final dos anos 1990, originando a Série 9000 da Supervia. Foto: A

O Largo do Depósito, atual Praça dos Estivadores, integrava essa rede de espaços comerciais e de abastecimento. A concentração de atividades econômicas nas proximidades da estação e do cais contribuiu para a formação de uma área de grande movimento, na qual o trabalho portuário, o comércio ambulante e a moradia popular se entrelaçavam.

A região também foi palco de conflitos sociais importantes. No início do século XX, as revoltas das Carnes Verdes, em 1902, e da Vacina, em 1904, expressaram tensões em torno das condições de vida, do abastecimento e das medidas impostas pelo poder público. Esses episódios ajudam a compreender a história da região não apenas como espaço de circulação de mercadorias, mas também como território de resistência e reivindicação popular.

As transformações do porto, as mudanças nas atividades econômicas e as intervenções urbanas alteraram o cotidiano de quem vivia do trabalho nos cais e armazéns. Ainda hoje, os nomes das ruas, a localização de instituições ligadas aos trabalhadores portuários e a proximidade do Morro da Providência preservam marcas dessa história.

O Terminal Rodoviário Coronel Américo Fontenelle, inaugurado em 1978, consolidou essa região como ponto de chegada e partida de linhas de ônibus provenientes da Baixada Fluminense. Sua implantação acompanhou a necessidade de organizar os deslocamentos rodoviários em uma área que já concentrava estações ferroviárias, comércio e atividades ligadas ao porto. Atualmente, o terminal passa por um processo de reconstrução, em meio às transformações da infraestrutura de transportes do Centro.

Terminal Coronel Américo Fontenelle articula destinos da Baixada Fluminense e conexões metropolitanas Localizado na Rua Bento Ribeiro, junto à Central do Brasil, o Terminal Rodoviário Coronel Américo Fontenelle desempenha papel estratégico na mobilidade entre o Centro do Rio de Janeiro e a Baixada Fluminense. A partir de suas plataformas e paradas próximas, são oferecidas ligações com diferentes municípios e localidades, incluindo Duque de Caxias (Centro, Gramacho, Jardim Leal, Jardim Gramacho, Parque São José, Vila São Luiz, Vilar dos Teles e Xerém); Nova Iguaçu (Centro, Austin, Cabuçu, Comendador Soares, Miguel Couto, Ponto Chic e Vila de Cava); Nilópolis, Mesquita, Magé, Guapimirim, Piabetá, Queimados, Japeri, Engenheiro Pedreira, Paracambi, Itaguaí e Seropédica, entre outros destinos. A oferta de transporte é ampliada pelo serviço intermunicipal complementar de vans, que dispõe de ponto de parada na região do Posto Ipiranga, a poucos minutos do terminal. A Portaria DETRO/PRES nº 1.962/2026 relaciona 20 serviços complementares metropolitanos com destinos em Austin, Cabuçu, Guapimirim, Heliópolis, Itaguaí, Magé, Miguel Couto, Nova Aurora, Nova Campina, Parque São Vicente, Piabetá, Praia de Mauá (Ipiranga), Queimados, Raiz da Serra, Saracuruna, Sargento Roncali, Taquara (Parada Angélica), Vila de Cava, Xerém e Nilópolis. A localização também favorece a integração com os sistemas ferroviários. A Estação Central do Brasil, da TrensRJ, conecta os passageiros aos ramais Belford Roxo, Deodoro, Japeri, Santa Cruz e Saracuruna, com possibilidades de continuidade até Paracambi, Vila Inhomirim e Guapimirim. A estação Central do Metrô oferece acesso à rede metroviária, enquanto a parada Cristiano Ottoni–Pequena África, do VLT Carioca, amplia as conexões pelo Centro e pela região portuária. Essa concentração de modalidades transforma o entorno da Central do Brasil em um importante polo de articulação dos deslocamentos metropolitanos, reunindo linhas rodoviárias convencionais, transporte complementar por vans e sistemas ferroviários em uma mesma área de circulação. Foto: Waldenar Pereira de Freitas Jr.


A HISTÓRIA DA LINHA: DA VIAÇÃO PRESMIC À TRANSPORTADORA TINGUÁ

A trajetória da 490B está ligada à história da Viação Presmic, empresa que, desde a década de 1950, operava ligações entre Miguel Couto, Tinguá e outras localidades de Nova Iguaçu com a região central do Rio de Janeiro. O serviço integrava bairros afastados dos principais centros ferroviários à capital, oferecendo uma alternativa de deslocamento para trabalhadores e moradores da Baixada.

Naquele período, o destino da linha era o Terminal Mariano Procópio, na Praça Mauá. A operação fazia parte de uma rede de ligações rodoviárias que conectava localidades da Baixada à área portuária, então importante centro de atividades comerciais, industriais e de transporte.

A Viação Presmic mantinha sua sede e garagem na Rua São Pedro, nº 12, em Miguel Couto, Nova Iguaçu. Desde a década de 1950, operava linhas que conectavam localidades iguaçuanas, como Miguel Couto, Boa Esperança e Vila de Cava, ao Centro do Rio de Janeiro, incluindo os serviços para a Praça Mauá e a Central do Brasil. Em 1975, após uma trajetória marcada por acidentes e episódios de repercussão na imprensa, suas operações foram absorvidas pela Transportadora Tinguá, que assumiu a continuidade dos serviços intermunicipais. Foto: Armando Reis

A trajetória empresarial foi marcada por dificuldades e mudanças societárias. Em 1975, após o encerramento das atividades da Presmic, suas linhas foram absorvidas pela Transportadora Tinguá, que passou a concentrar a operação intermunicipal herdada da empresa. No mesmo processo de reorganização, os serviços foram redistribuídos entre empresas ligadas ao antigo grupo, incluindo a Rio Lisbôa e a Viação Rival, esta última voltada às linhas municipais de Nova Iguaçu antes de sua extinção.

A inauguração do Terminal Rodoviário Coronel Américo Fontenelle, em 1978, trouxe uma nova referência para os serviços que atendiam ao Centro do Rio. A ligação de Miguel Couto passou a contar com uma variante destinada ao terminal, consolidando a conexão com a região da Central do Brasil e com os corredores de circulação do Centro.


A Transportadora Tinguá Ltda. iniciou sua trajetória no transporte coletivo de Nova Iguaçu ainda na década de 1960. Em 1972, a empresa já contava com frota própria, incluindo veículos Metropolitana, CIRB e Críbia. Na época, tinha como proprietário Luiz Carlos Duarte Batista, conhecido como Carlinhos da Tinguá. Em 1975, incorporou linhas da Transportes Presmic, ampliando sua presença nos deslocamentos entre a Baixada Fluminense e o Centro do Rio de Janeiro. Atualmente, sua atuação abrange municípios como Nova Iguaçu, Queimados e Belford Roxo, além de ligações com a capital fluminense, atendendo destinos como Central do Brasil, Praça Mauá, Pavuna, Caju, Fundão e Barra da Tijuca. Foto: Paulo Roberto

Ao longo das décadas seguintes, a linha manteve sua função de ligação entre Miguel Couto e a capital, acompanhando as mudanças na infraestrutura viária e nos terminais de transporte. O itinerário atual, pela Estrada Luís de Lemos, pela Rodovia Presidente Dutra e pela Avenida Brasil, demonstra como o serviço se adaptou à expansão rodoviária metropolitana.


AS VARIANTES EXECUTIVAS

Em 28 de maio de 2014, a Portaria DETRO/RJ nº 1.150 estabeleceu numerações exclusivas para linhas e serviços metropolitanos seletivos e especiais operados por ônibus rodoviários. No caso da ligação de Miguel Couto com o Centro do Rio, foram atribuídos os códigos:

2490B — Miguel Couto x Praça Mauá via Luís de Lemos e Linha Vermelha.
4490B — Miguel Couto x Central via Luís de Lemos e Avenida Brasil.

A Transportadora Tinguá opera dois serviços executivos vinculados à linha 490B, que conecta Miguel Couto, em Nova Iguaçu, à região central do Rio de Janeiro. A 2490B utiliza a Linha Vermelha e atende à região da Candelária e à Praça Mauá, destino que remete à configuração original da linha, cujo terminal carioca era o Terminal Mariano Procópio. Já a 4490B utiliza a Avenida Brasil e também passa pela Candelária, mas segue diretamente em direção à Central do Brasil, sem atender à Praça Mauá nem às ruas Acre e Camerino. Ambos oferecem uma alternativa executiva ao serviço urbano convencional, diferenciando-se principalmente pelos corredores de acesso e pelos itinerários na região portuária. Foto: Kayoã Costa

As variantes preservam a ligação entre Miguel Couto e a capital, diferenciando-se pelos destinos e pelos corredores utilizados. A numeração permite distinguir os serviços rodoviários das operações urbanas identificadas pelo prefixo 490B.


ÔNIBUS ROSA: INICIATIVA DE COMBATE AO ASSÉDIO NA linha6 490B

Em 5 de setembro de 2023, a Transportadora Tinguá iniciou a operação experimental de um micro-ônibus destinado preferencialmente às mulheres na linha 490B – Miguel Couto × Central, via Luís de Lemos. A iniciativa integra a campanha estadual “Não Dê Carona ao Assédio”, promovida pelo Departamento de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro (DETRO-RJ), em parceria com a Secretaria de Estado de Transporte e Mobilidade Urbana (SETRAM) e a Secretaria de Estado da Mulher, com o objetivo de combater a importunação sexual nos transportes coletivos intermunicipais.

Com capacidade para 34 passageiros, o veículo apresenta identidade visual diferenciada, mantendo o padrão da pintura executiva da Transportadora Tinguá, mas substituindo o tradicional vermelho por tons de rosa e lilás. A tarifa é a mesma praticada nos demais serviços da linha. A operação ocorre de segunda-feira a sábado, nos horários de maior fluxo de passageiros, com partidas de Miguel Couto às 5h e às 8h, e do Terminal Américo Fontenelle, na região central do Rio de Janeiro, às 16h e às 19h30. As viagens foram incorporadas à programação da linha, sem redução dos horários dos ônibus convencionais. A implantação foi anunciada como experiência inicial, com perspectiva de expansão para outras empresas e linhas intermunicipais. A iniciativa também está associada à atuação da Ouvidoria da Mulher do DETRO-RJ, criada para receber denúncias e oferecer atendimento às passageiras em situações de violência e importunação sexual. Foto: Divulgação DETRO-RJ


OS SERVIÇOS PARADOR, RÁPIDO E EXPRESSO

A linha 490B – Miguel Couto × Central, operada pela Transportadora Tinguá, apresenta três modalidades de atendimento: Parador, Rápido e Expresso. Embora compartilhem os principais pontos de origem e destino, os serviços diferenciam-se pela distribuição das paradas intermediárias e pela utilização dos corredores rodoviários, oferecendo alternativas de deslocamento conforme as necessidades dos passageiros.

O serviço Parador apresenta a cobertura mais abrangente, realizando paradas ao longo de praticamente todo o itinerário. Essa modalidade atende a um conjunto maior de localidades e permite o embarque e desembarque em diferentes pontos da Baixada Fluminense e da capital. Em contrapartida, a quantidade de paradas aumenta o tempo necessário para completar a viagem.

O serviço Rápido reduz parte das paradas intermediárias e apresenta uma particularidade importante na chegada ao Rio de Janeiro. A partir da Avenida Brasil, o ônibus passa a utilizar a pista seletiva, destinada à circulação de veículos de transporte coletivo, proporcionando maior fluidez nesse trecho. O atendimento é retomado na Avenida Francisco Bicalho, onde volta a realizar paradas na descida do Elevado do Gasômetro, seguindo em direção ao Centro.

As diferenças entre as três modalidades evidenciam uma gradação no padrão de atendimento da linha. Enquanto o Parador prioriza a cobertura territorial, o Rápido combina paradas intermediárias com a utilização da pista seletiva da Avenida Brasil. O Expresso, por sua vez, concentra o atendimento nos principais pontos do percurso e proporciona uma ligação mais direta entre Nova Iguaçu e a região central da capital. Dessa forma, a 490B oferece diferentes possibilidades de deslocamento em uma mesma ligação intermunicipal, conciliando o atendimento às localidades intermediárias com a necessidade de reduzir o tempo de viagem nos principais corredores metropolitanos. Foto: Carlos Almeida

Já o serviço Expresso apresenta o atendimento mais seletivo. Sua última parada na Baixada Fluminense ocorre na região do Moquetá, em Nova Iguaçu. A partir desse ponto, o ônibus segue pela pista central da Rodovia Presidente Dutra e utiliza toda a extensão da pista seletiva da Avenida Brasil, sem realizar paradas intermediárias nesses corredores. O primeiro ponto de atendimento após esse trecho está localizado na Avenida Francisco Bicalho, também na descida do Elevado do Gasômetro.


UMA VIAGEM ENTRE A BAIXADA, A AVENIDA BRASIL E A HISTÓRIA DO PORTO

Ao longo do itinerário, a linha 490B atravessa territórios que passaram por diferentes ciclos de transformação. Em Miguel Couto e Ambaí, a memória ferroviária revela como os trilhos participaram da formação dos bairros. Na Posse e no Centro de Nova Iguaçu, os antigos caminhos e as ligações rodoviárias conectam áreas residenciais a uma centralidade municipal. Mais adiante, a Rodovia Presidente Dutra e a Avenida Brasil conduzem a viagem por um corredor metropolitano marcado pela circulação de trabalhadores, mercadorias e serviços.

Na Zona Norte carioca, os bairros industriais, os conjuntos habitacionais, as antigas áreas portuárias e as estruturas ferroviárias compõem uma paisagem na qual a mobilidade está diretamente relacionada à expansão da cidade. Já na região da Saúde, da Gamboa e do Morro da Providência, o percurso alcança um território cuja história reúne o comércio, o trabalho portuário, a escravidão, as lutas populares e as sucessivas intervenções urbanas.

Mais do que conectar Miguel Couto ao Centro do Rio, a 490B percorre diferentes etapas da construção da metrópole fluminense. Para o passageiro, a viagem representa um deslocamento cotidiano entre municípios e bairros; para quem observa a paisagem e sua história, revela como ferrovias, estradas, portos e terminais ajudaram a definir os caminhos de crescimento da Baixada Fluminense e da capital.




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