Uma viagem pelas montanhas, águas e caminhos da Serra da Mantiqueira, percorrendo Penedo, Serrinha do Alambari, Visconde de Mauá, Maringá, Maromba e o território mineiro de Bocaina de Minas.
BR-116 | Rodovia Presidente Dutra → Resende
Minha jornada começou pela BR-116, a Rodovia Presidente Dutra, seguindo pelo eixo que estrutura a ligação entre o Rio de Janeiro e o Vale do Paraíba. Diferentemente das estradas estaduais que encontraria posteriormente, este primeiro trecho está inserido no sistema federal de concessões da Ecovias Rio Minas, responsável atualmente pela operação da BR-116/RJ dentro do lote concedido à empresa.
Um dos principais acessos à região de Penedo e Visconde de Mauá se dá pela BR-116, Rodovia Presidente Dutra, a partir da entrada localizada na altura do km 311, em Itatiaia. Esse ponto funciona como uma importante articulação entre o eixo rodoviário do Vale do Paraíba e as estradas que conduzem às localidades serranas da Mantiqueira.
Após a privatização, a rodovia passou por sucessivas intervenções de modernização e recuperação, refletidas na melhoria das condições de pavimento e da infraestrutura operacional. A qualidade do trecho também favorece a viagem como experiência paisagística, permitindo observar, ao longo do percurso, a transição entre o Vale do Rio Paraíba do Sul e as encostas da Serra da Mantiqueira, que se tornam cada vez mais presentes à medida que nos aproximamos dos acessos a Penedo e Mauá.
A paisagem também começa a anunciar a mudança de ambiente. O eixo da Dutra percorre o fundo do Vale do Paraíba do Sul, enquanto, ao oeste de Resende, a Mantiqueira se ergue como uma grande muralha. É justamente nessa transição entre o vale e as montanhas que se encontram os acessos para Penedo, Serrinha do Alambari e Visconde de Mauá.
Itatiaia | Da ocupação serrana ao território de conservação
Itatiaia é um dos municípios mais jovens do Estado do Rio de Janeiro. Seu território foi desmembrado de Resende em 6 de julho de 1988, pela Lei Estadual nº 1.330. Muito antes da formação do município, entretanto, a região já era ocupada por povos indígenas, entre eles Tamoios, Puris e Coroados. A partir de meados do século XVIII, a ocupação não indígena avançou pela serra, impulsionada principalmente por mineiros que, diante do declínio da mineração do ouro, desceram em busca de novas terras para se estabelecer.
RJ-163 | O caminho para Penedo e Mauá
Na altura de Itatiaia, deixei a Dutra e entrei na RJ-163 – Rodovia Rubens Tramujas Mader.
A rodovia possui uma função muito particular: mais do que ligar localidades, ela penetra progressivamente no ambiente da Mantiqueira. O relevo torna-se mais acidentado, a vegetação ganha volume e os núcleos urbanos passam a aparecer de maneira descontínua, intercalados por propriedades rurais, pousadas, restaurantes e áreas de Mata.
A RJ-163 é uma rodovia estadual. Sua importância para a região aumentou significativamente com as obras de pavimentação, drenagem, contenção de encostas e sinalização realizadas no trecho entre Capelinha e Visconde de Mauá, transformado em estrada-parque..
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| No trecho inicial da RJ-163, a paisagem ainda não assume as características serranas que marcam os setores mais adiante da estrada. Até aproximadamente a região da Capelinha, a rodovia atravessa um cenário mais aberto, formado por campos, áreas de vegetação e propriedades rurais que se distribuem ao longo do percurso. Entre pastagens, áreas verdes e fazendas, o relevo apresenta formas mais suaves e amplas, proporcionando uma paisagem predominantemente rural. É um trecho em que a estrada se integra ao ambiente campestre, revelando gradualmente a mudança de cenário que antecede a entrada nas áreas de relevo mais acidentado da Serra da Mantiqueira. FOTO: ÉDIPO AMARAL | MOBILIDADE FLUMINENSE |
A estrada, entretanto, continua condicionada ao relevo. Em janeiro de 2026, por exemplo, fortes chuvas provocaram a queda de uma árvore sobre a RJ-163 na região de Visconde de Mauá, exigindo atuação conjunta do INEA, Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e moradores para liberar o tráfego
Essa característica ajuda a compreender a própria identidade da estrada: um corredor rodoviário construído dentro de um ambiente montanhoso, sujeito às condições naturais da Mantiqueira.
Penedo | A presença finlandesa na Mantiqueira
Meu primeiro contato com esse universo serrano ocorreu em Penedo, distrito de Itatiaia conhecido pela presença da cultura finlandesa.
A história da localidade é bastante particular. Em 1929, um grupo de imigrantes finlandeses liderado por Toivo Uuskallio chegou à região buscando uma vida integrada à natureza. A experiência inicialmente baseada em agricultura acabou encontrando dificuldades, e posteriormente as próprias casas dos colonos começaram a receber visitantes, dando origem à vocação turística que transformaria Penedo.
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| A instalação de guarda-chuvas suspensos sobre as ruas cria um cenário colorido e lúdico, além de proporcionar sombra aos espaços urbanos. Em Penedo, esse recurso decorativo ganhou uma identidade própria e passou a integrar a paisagem turística da localidade, tornando-se um dos elementos mais fotografados de suas ruas. FOTO: ÉDIPO AMARAL |MOBILIDADE FLUMINENSE |
Hoje, essa herança aparece na arquitetura, na gastronomia, no comércio e na própria identidade visual do distrito.
Na Pequena Finlândia, encontrei justamente essa representação turística da cultura finlandesa, com construções de inspiração nórdica e forte presença comercial.
O espaço funciona como uma espécie de síntese da transformação de Penedo: aquilo que começou como uma experiência de colonização e busca por uma vida alternativa tornou-se uma das principais áreas turísticas da Mantiqueira fluminense.
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| Na entrada da Pequena Finlândia, em Penedo, o Papai Noel recebe os visitantes em meio à arquitetura inspirada nas tradições finlandesas que marcam a identidade turística da localidade. A presença do personagem reforça a atmosfera natalina que se tornou uma das principais referências de Penedo, aproximando o visitante do imaginário associado à terra do Natal e à colonização finlandesa da região. FOTO: ÉDIPO AMARAL | MOBILIDADE FLUMINENSE |
Também passei pelo Museu de Brinquedos, onde a viagem ganhou uma dimensão mais afetiva e cultural.
Entre as primeiras paradas em Penedo, visitei o Lelumuseo – Museu de Brinquedos, espaço que reúne uma expressiva coleção dedicada à preservação da memória da infância e da cultura material. O próprio nome, inspirado na língua finlandesa, estabelece uma relação com a história de Penedo e sua colonização por imigrantes finlandeses.
O acervo começou a ser formado em 1994, a partir do interesse do colecionador Celestino da Silva Teixeira por brinquedos antigos. Com o passar dos anos, a coleção cresceu e deu origem ao museu, que atualmente reúne milhares de peças produzidas principalmente entre as décadas de 1950 e 2000.
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| Na área externa do Lelumuseo, em Penedo, uma réplica do famoso veículo da família Flintstone transforma o cenário do Museu de Brinquedos em uma espécie de viagem à pré-histórica Bedrock. O “Flintmóvel”, inspirado no clássico desenho animado, tornou-se também um dos elementos cenográficos do espaço, convidando o visitante a interagir e registrar a passagem pelo museu. FOTO: ÉDIPO AMARAL | MOBILIDADE FLUMINENSE |
A visita percorre diferentes ambientes temáticos, onde encontrei autorama, bonecas, carrinhos, brinquedos relacionados ao futebol, jogos eletrônicos, bicicletas, velocípedes, triciclos e outros objetos que ajudam a contar a evolução das formas de brincar ao longo das décadas.
Logo na entrada, elementos como as representações das bandeiras do Brasil e da Finlândia, um grande cubo mágico e uma réplica do carro dos Flintstones anunciam o caráter lúdico do espaço.
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| Nas vitrines e salas temáticas do Lelumuseo, o acervo reúne milhares de brinquedos que atravessam diferentes gerações, principalmente das décadas de 1950 aos anos 2000. Carrinhos, bonecas, jogos, autoramas, bicicletas, velocípedes e triciclos compõem uma coleção que transforma objetos da infância em registros de memória e cultura material. O percurso pelo museu revela brinquedos que fizeram parte do cotidiano de diferentes épocas e despertam lembranças entre visitantes de várias gerações. O museu organiza parte desse acervo em espaços temáticos como 007, sala das bonecas, Velho Oeste, futebol, games e coleção de bicicletas, velocípedes e triciclos antigos. FOTO: ÉDIPO AMARAL | MOBILIDADE FLUMINENSE |
Mais do que uma exposição de brinquedos, o Lelumuseo proporciona uma verdadeira viagem pela memória. Cada peça carrega referências de uma época, permitindo observar mudanças nos materiais, na tecnologia, na publicidade e nos hábitos de lazer. Para os adultos, muitos objetos funcionam como gatilhos de memória afetiva, recuperando brincadeiras e experiências de diferentes gerações.
Dentro da proposta desta expedição pela Mantiqueira, a visita ganhou ainda um significado especial. Em uma viagem dedicada aos caminhos, transportes e mobilidade, encontrar bicicletas, velocípedes, triciclos, autoramas e uma ferrovia em miniatura estabeleceu uma interessante conexão entre o acervo e o próprio tema da viagem.
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| Entre as atrações do Lelumuseo, em Penedo, uma maquete de aproximadamente 6 m² reproduz uma paisagem de inspiração nórdica, com iluminação, efeitos sonoros, estação de esqui e duas linhas destinadas aos pequenos trens. O cenário transforma o universo dos brinquedos em uma pequena paisagem ferroviária em movimento, integrando tecnologia, miniaturismo e memória afetiva ao percurso pelo Museu de Brinquedos. FOTO: ÉDIPO AMARAL | MOBILIDADE FLUMINENSE |
No Lelumuseo, a paisagem das montanhas deu lugar a uma viagem pelo tempo: entre brinquedos, miniaturas e antigos meios de locomoção, percorri diferentes gerações e reencontrei objetos que transformaram a infância de tantas pessoas em memória.
A ambientação também incorpora objetos de antiguidade, como telefone, lamparinas, equipamentos e mobiliários de época, compondo um cenário que aproxima o visitante de diferentes períodos e referências culturais, entre a tradição natalina, a memória e o universo dos brinquedos.
Serrinha do Alambari | Entre florestas e águas cristalinas
De Penedo, retornei à RJ-163 e segui até o acesso à Serrinha do Alambari. A partir dali, deixei novamente o eixo pavimentado da RJ-163 e entrei em uma via local, acompanhando uma paisagem muito mais fechada e marcada pela vegetação.
Seguindo pela estrada de acesso à APA da Serrinha do Alambari, a paisagem foi gradualmente se fechando entre a vegetação da Mata Atlântica, encostas e cursos d’água. O ambiente serrano contrasta com o eixo rodoviário da RJ-163, revelando um território de ocupação mais rarefeita, onde propriedades, áreas de camping e caminhos locais se integram à floresta.
A Serrinha está inserida em uma região de grande importância hidrográfica, marcada pelas microbacias dos rios Alambari e Pirapitinga. A água é, portanto, um dos elementos que melhor definem a paisagem: aparece nos rios, córregos e pequenas quedas d’água que acompanham as trilhas e atravessam o relevo.
Entre os pontos visitados, a Pedra Sonora despertou especial curiosidade. A formação rochosa possui uma característica incomum: quando golpeada em determinados pontos, produz um som metálico e ressonante. O fenômeno transforma uma simples formação geológica em uma experiência sensorial, aproximando o visitante das particularidades do próprio terreno.
Um dos marcos da Serrinha do Alambari é a Pedra Sonora, formação rochosa semelhante a uma concha, tombada como patrimônio natural de Resende. Segundo a tradição indígena, um chefe Puri ferido descobriu seu som ao deixar cair o machado sobre a pedra. O eco teria alertado seus companheiros, originando a crença de que seus sons protegiam contra perigos e acidentes. FOTO: ÉDIPO AMARAL | MOBILIDADE FLUMINENSE |
A visita à Serrinha proporcionou uma mudança significativa no ritmo da viagem. Depois das áreas urbanizadas e do movimento das rodovias, encontrei um ambiente em que água, floresta e relevo passam a dominar a paisagem. Entre trilhas, rios cristalinos e formações rochosas, a APA revela uma das faces mais preservadas da Mantiqueira fluminense.
Foi um dos momentos em que a viagem deixou de ser apenas um percurso entre destinos e passou a ser uma experiência de contato direto com o ambiente natural.
A APA possui aproximadamente 4.500 hectares e protege as partes altas das microbacias dos rios Alambari e Pirapitinga. O relevo é caracterizado por vales encaixados, encostas florestadas, cursos d'água de águas frias e cristalinas e numerosas cachoeiras.
A própria história da Serrinha revela uma sucessão de usos do território. Até o final do século XIX, predominava a Mata Atlântica. Posteriormente, parte das terras foi aproveitada durante o ciclo do café e, já no século XX, a região passou por agricultura, extração de madeira e produção de carvão. A partir das décadas finais do século XX, o turismo de natureza ganhou força e passou a coexistir com a regeneração de áreas anteriormente ocupadas.
RJ-163 | Capelinha e a Estrada-Parque
Retornei à RJ-163 e prossegui em direção a Visconde de Mauá. Na altura da Capelinha, em Resende, a RJ-163 encontra um território marcado tanto pela circulação contemporânea quanto pela antiga conexão entre o Vale do Paraíba e a Serra da Mantiqueira. A localidade, tradicional ponto de passagem e pouso das tropas vindas do Sul de Minas, antecede a atual configuração turística de Visconde de Mauá.
É também nesse corredor que foi implantado o projeto da Estrada-Parque Visconde de Mauá, concebido para integrar infraestrutura rodoviária, preservação ambiental e valorização da paisagem. A intervenção incluiu a adequação da RJ-163 entre Capelinha e Visconde de Mauá e da RJ-151 entre Maromba e a Ponte dos Cachorros, além da instalação de mirantes, sinalização ambiental, contenções de encostas, sistemas de drenagem e zoopassagens destinadas à travessia da fauna.
De volta à RJ-163 | Capelinha → Visconde de Mauá
A estrada assume progressivamente características de serra: curvas sucessivas, encostas, cortes no relevo e vistas que se alternam entre áreas abertas e trechos de Mata Atlântica.
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| É interessante perceber que a estrada não apenas atravessa a montanha — ela revela a própria estrutura da Mantiqueira. Os vales direcionam os caminhos, enquanto os divisores de água determinam as mudanças de vertente. FOTO: ÉDIPO AMARAL | MOBILIDADE FLUMINENSE |
Ao longo desse trecho, a ocupação também se torna cada vez mais associada ao turismo. Pousadas, restaurantes, propriedades rurais e acessos para cachoeiras aparecem intercalados à vegetação.
A RJ-163 possui um traçado sinuoso que atravessa áreas de grande interesse ambiental e paisagístico. Ao longo do caminho, a mata, os cursos d'água, as propriedades rurais e as montanhas passam a compor uma paisagem característica da região de Visconde de Mauá.
A RJ-163 e a RJ-151 foram convertidas na primeira Estrada-Parque do Estado do Rio de Janeiro, incorporando ao projeto rodoviário medidas voltadas à conservação da fauna e à redução dos impactos da circulação sobre o ambiente. Entre as soluções adotadas estão zoopassagens subterrâneas e aéreas, limite de velocidade de 40 km/h e pavimento de baixo ruído.
Mais do que uma ligação entre destinos turísticos, a rodovia estrutura o acesso a uma região serrana compartilhada por Resende, Itatiaia e Bocaina de Minas (MG), articulando pequenas localidades e atividades ligadas ao turismo rural e de natureza. À medida que avancei pela estrada, a própria viagem passou a fazer parte da experiência: a rodovia deixa de ser apenas o caminho até o destino e se transforma em um percurso de observação da Mantiqueira e de sua paisagem rural e florestal.
Visconde de Mauá | Um núcleo turístico entre montanhas
Seguindo pela RJ-163, deixei para trás o eixo da BR-116 e avancei gradualmente para o interior da Serra da Mantiqueira. A estrada acompanha um relevo cada vez mais acidentado, cercado por áreas de Mata Atlântica, propriedades rurais e vales encaixados, até alcançar a Vila de Visconde de Mauá.
Ao chegar à Vila de Visconde de Mauá, encontrei um núcleo urbano pequeno, mas com uma função regional muito maior do que sua dimensão sugere. A vila funciona como uma espécie de porta de entrada para o conjunto formado por Maringá e Maromba, além de diversos vales e áreas naturais.
Embora o nome seja utilizado para designar toda a região turística, Visconde de Mauá corresponde propriamente a uma das três principais vilas desse conjunto serrano, ao lado de Maringá e Maromba. A ocupação da região está ligada a diferentes ciclos históricos: das primeiras iniciativas de colonização europeia à formação, posteriormente, de uma economia baseada no turismo e na valorização das paisagens naturais da Mantiqueira.
A vila funciona como importante núcleo de serviços e distribuição dos fluxos que seguem pelas estradas serranas. Foi também nesse ponto que encontrei a sede do Parque Estadual da Pedra Selada, unidade de conservação criada para proteger parte desse conjunto montanhoso e suas nascentes. A presença do parque reforça a importância ambiental da região e estabelece uma relação direta entre a circulação
Parque Estadual da Pedra Selada
A Sede do Parque Estadual da Pedra Selada está localizada justamente em Visconde de Mauá.
O parque foi criado em 2012 e possui aproximadamente 8.036 hectares, abrangendo os municípios de Resende e Itatiaia. Trata-se de uma unidade de proteção integral inserida na Serra da Mantiqueira e integrante do Mosaico Mantiqueira. Sua região hidrográfica é a RH III – Médio Paraíba do Sul.
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| O Parque Estadual da Pedra Selada (PEPS) está inserido nos municípios de Resende e Itatiaia, no Médio Paraíba fluminense, com 78,43% de sua área em Resende e 21,57% em Itatiaia. Integrado à Serra da Mantiqueira, o parque ocupa uma posição estratégica no encontro territorial entre os estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, próximo ao eixo da Rodovia Presidente Dutra. Criado em 2012, o PEPS protege um importante conjunto de florestas, nascentes, cursos d’água e formações montanhosas da Mantiqueira. Seu território se articula diretamente com a paisagem rural e serrana de Visconde de Mauá, tendo a Pedra Selada, com 1.755 metros de altitude, como um de seus principais marcos geográficos. FOTO: ÉDIPO AMARAL | MOBILIDADE FLUMINENSE |
A própria sede funciona como ponto de interpretação do território, reunindo estruturas administrativas, exposições e informações sobre a fauna e a flora. A Pedra Selada, principal referência geográfica da unidade, alcança aproximadamente 1.755 metros de altitude e constitui uma das formações mais características da Mantiqueira fluminense.
A unidade de conservação também desempenha papel importante na valorização do turismo de natureza, por meio de trilhas, contemplação da paisagem, educação ambiental e atividades de pesquisa e conservação.
| Na sede do Parque Estadual da Pedra Selada, um guarda-parque apresenta uma muda de pau-brasil (Paubrasilia echinata), cultivada entre outras espécies destinadas à conservação da flora da Mata Atlântica. O viveiro reúne diferentes exemplares da vegetação regional, evidenciando, em escala reduzida, a diversidade vegetal protegida pela unidade de conservação. FOTO: ÉDIPO AMARAL | MOBILIDADE FLUMINENSE |
Ponte que Balança | Atravessando o ambiente serrano
Deixando a área central de Visconde de Mauá, segui por uma via local até a Ponte que Balança. A experiência muda novamente. A estrada torna-se mais estreita e passa a acompanhar diretamente o sistema de vales e cursos d'água.
Sobre o Rio Preto, na divisa entre os estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais, a pinguela é uma pequena passagem de madeira que integra os caminhos da região de Visconde de Mauá. De estrutura estreita e suspensa, seu movimento durante a travessia deu origem ao nome pelo qual é conhecida.
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| Sobre o Rio Preto, na divisa entre Rio de Janeiro e Minas Gerais, a Ponte que Balança atravessa a mata por meio de uma estreita estrutura de madeira. A passagem acompanha um dos caminhos de circulação entre os dois lados do vale, enquanto o movimento da ponte durante a travessia revela uma solução simples de conexão sobre o curso d’água. Ao redor, a vegetação da Mata Atlântica e o próprio Rio Preto compõem o cenário em que essa estrutura está inserida. FOTO: ÉDIPO AMARAL | MOBILIDADE FLUMINENSE |
Mais que um ponto de passagem, a ponte estabelece uma conexão direta entre as duas margens do Rio Preto e entre os territórios fluminense e mineiro, inserida em uma paisagem marcada pela mata ciliar e pelas águas do rio. O percurso preserva características rústicas e proporciona contato próximo com o ambiente natural da Serra da Mantiqueira.
Vale do Alcantilado | Estrada rural e turismo de natureza
A partir de Visconde de Mauá, o caminho para o Vale do Alcantilado atravessa o Rio Preto e alcança o território mineiro de Bocaina de Minas, revelando uma paisagem marcada pela transição entre os núcleos turísticos da Mantiqueira e o espaço rural do distrito de Mirantão.
O vale se desenvolve entre montanhas, propriedades rurais, matas e cursos d’água, mantendo características da ocupação dispersa que acompanha os caminhos da região. Ao longo do percurso, a paisagem alterna trechos de estrada, áreas de cultivo, empreendimentos rurais e remanescentes naturais, evidenciando a convivência entre a atividade turística e a ocupação tradicional do território.
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| Pela Estrada do Alcantilado, o verde da Mata Atlântica acompanha o caminho, entre pequenas propriedades, pontes de madeira e cursos d’água. O Rio do Alcantilado percorre a paisagem, formando corredeiras e remansos que completam o cenário bucólico da Serra da Mantiqueira, onde natureza e tranquilidade caminham juntas. FOTO: ÉDIPO AMARAL | MOBILIDADE FLUMINENSE |
A passagem entre os dois estados ocorre de forma quase imperceptível na paisagem, enquanto estrada, rio, propriedades e montanhas formam um conjunto que revela a dinâmica histórica e territorial dessa região serrana.
Museu Duas Rodas | Memória dos caminhos sobre duas rodas
No Vale do Alcantilado, entre o caminho rural e as corredeiras da Serra da Mantiqueira, cheguei ao Museu Duas Rodas, um galpão de madeira guarda uma coleção que conta parte da história dos veículos de duas rodas. É o Museu Duas Rodas, criado a partir da reunião de motocicletas, bicicletas e ciclomotores de diferentes épocas, marcas e procedências.
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| O galpão de madeira do Museu Duas Rodas chama atenção por sua arquitetura rústica e pelo ambiente cercado de natureza. O espaço preserva a atmosfera acolhedora da região e abriga um importante acervo dedicado à história das motocicletas e bicicletas. FOTO: ÉDIPO AMARAL | MOBILIDADE FLUMINENSE |
Entre as peças do acervo estão exemplares raros, como a Wanderer de 1902, considerada a motocicleta mais antiga do Brasil, e a FN Four-Cylinder de 1913, uma das primeiras motocicletas de quatro cilindros produzidas industrialmente. Ducati, Norton, Moto Guzzi, Harley-Davidson e BSA também estão representadas, ao lado de peças e equipamentos ligados às competições.
Mais que uma coleção de máquinas, o museu preserva objetos que registram transformações na maneira de circular, viajar e ocupar as estradas. Instalado junto ao rio e integrado à paisagem rural do vale, o acervo estabelece um curioso encontro entre a memória da mobilidade e a permanência da paisagem da Mantiqueira.
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| Em um rústico galpão de madeira, o Museu Duas Rodas preserva uma coleção de motocicletas, bicicletas e outros veículos que ajudam a contar a evolução dos meios de transporte sobre duas rodas. Entre raridades e modelos históricos, o acervo reúne peças de diferentes épocas, marcas e países. ÉDIPO AMARAL | MOBILIDADE FLUMINENSE |
Vale do Alcantilado → Maromba
Depois do Vale do Alcantilado, retornei ao eixo da RJ-151, seguindo em direção às vilas de Maromba e Maringá.
Deixando a Vila de Mauá, prossegui pela RJ-151, acompanhando o eixo que conecta as três vilas da região. O traçado permanece sinuoso, mas a paisagem se abre em alguns pontos, permitindo observar os vales e as encostas da Serra da Mantiqueira.
Maringá surge aproximadamente cinco quilômetros adiante, já em uma área onde o Rio Preto ganha importância não apenas como elemento da paisagem, mas também como divisor territorial.
Maringá | A fronteira desenhada pelo Rio Preto
Seguindo pela RJ-151, cheguei à Vila de Maringá. Esse foi um dos pontos geográficos mais interessantes do percurso. A localidade está associada ao Rio Preto, que funciona como referência natural da divisa entre Rio de Janeiro e Minas Gerais. De um lado está o território fluminense; do outro, o município mineiro de Bocaina de Minas.
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| Em Maringá, uma estreita ponte destinada à passagem de pedestres atravessa o Rio Preto, marcando a divisa entre Rio de Janeiro e Minas Gerais. Mais que uma simples travessia, é um pequeno marco da integração entre os dois lados da vila, em meio à paisagem da Serra da Mantiqueira. FOTO: ANA PAULA | MOBILIDADE FLUMINENSE |
A própria documentação do ICMBio destaca o intercâmbio intenso entre municípios fluminenses e mineiros nessa região e identifica o Rio Preto como elemento que delimita a divisa entre os estados. Essa condição produz uma paisagem bastante singular: a mesma área urbana se desenvolve em torno de um rio que, além de elemento natural, funciona como linha administrativa interestadual.
O rio estabelece a fronteira entre os estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais, fazendo com que a própria vila tenha uma característica singular: de um lado está o território fluminense; do outro, Minas Gerais. Essa condição fronteiriça ajuda a explicar a dinâmica peculiar de Maringá. A circulação de visitantes não se limita a um único município ou estado, e a ponte sobre o Rio Preto funciona como elemento de ligação entre os dois lados do vale, aproximando atividades comerciais, hospedagem, gastronomia e serviços turísticos.
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| Em Maringá, as lojas se integram ao clima acolhedor da serra, reunindo artesanato, decoração, produtos locais, lembranças e peças produzidas por artistas e pequenos comerciantes. Caminhar pelo comércio da vila também é uma forma de conhecer um pouco da identidade e do charme de Maringá, entre o Rio Preto e as montanhas. FOTO: ÉDIPO AMARAL | MOBILIDADE FLUMINENSE |
A rodovia acompanha o sistema do Rio Preto, elemento geográfico fundamental para compreender toda a região. Aqui, a hidrografia passa a ter uma importância ainda mais evidente. O Rio Preto nasce na região do Pico das Agulhas Negras e segue em direção ao Rio Paraíba do Sul. Em grande parte de seu curso nessa região, funciona como divisor natural entre os estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais.
Assim, a estrada percorre um território em que uma simples travessia de ponte pode representar também uma mudança administrativa ou estadual.
Maringá → Maromba
A partir de Maringá, continuei pela RJ-151 em direção a Maromba. Nesse trecho, a estrada acompanha uma paisagem ainda mais marcada pelo relevo montanhoso e pela presença dos cursos d'água. O Rio Preto permanece como referência geográfica do percurso, enquanto pequenas estradas e acessos conduzem a propriedades, pousadas, áreas de lazer e atrativos naturais.
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| No trecho da RJ-151 entre Maromba e a Cachoeira do Escorrega, a estrada se torna ainda mais estreita e sinuosa, acompanhando o relevo montanhoso da região. Cercada pela vegetação da Serra da Mantiqueira, a via conduz a um dos principais atrativos naturais de Visconde de Mauá, exigindo atenção redobrada dos motoristas durante o percurso. FOTO: RUAN SANTOS | MOBILIDADE FLUMINENSE |
Maromba representa o núcleo mais interiorizado desse percurso. A vila mantém características de pequeno povoado serrano, com edificações de baixa altura, comércio voltado principalmente aos visitantes, pousadas, restaurantes e artesanato. Ao redor, cachoeiras, poços e trilhas conduzem a diferentes pontos da Serra da Mantiqueira, fazendo da localidade uma das principais referências turísticas da região.
A sequência Mauá → Maringá → Maromba permite compreender a própria organização territorial da região: três vilas próximas, porém com características próprias, conectadas por um sistema rodoviário que acompanha o relevo e atravessa uma área de grande importância ambiental.
Maromba | A montanha como identidade
A chegada à Vila de Maromba representa uma nova mudança de escala. O núcleo urbano é pequeno e está completamente inserido no ambiente montanhoso. A presença de rios, cachoeiras, encostas e propriedades turísticas determina a forma de ocupação.
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| Na praça de Maromba, às margens da RJ-151 e diante do Rio Preto, a Comunidade São Miguel Arcanjo se destaca como um marco da localidade, integrando fé, convivência comunitária e a paisagem serrana que caracteriza a região. FOTO: ÉDIPO AMARAL | MOBILIDADE FLUMINENSE |
Em meio à Serra da Mantiqueira, Maromba é um pequeno povoado serrano marcado pela presença de matas, rios, cachoeiras e piscinas naturais, nas proximidades do Parque Nacional do Itatiaia. Sua paisagem conserva características de uma ocupação rural, entre pequenas construções, pousadas, bares e restaurantes que se desenvolveram com a expansão do turismo.
A partir da década de 1970, Maromba tornou-se um dos principais pontos de encontro do movimento hippie na região de Visconde de Mauá. A chegada desses grupos, atraídos pelo isolamento, pela natureza e pela possibilidade de um modo de vida alternativo, contribuiu para formar uma identidade cultural própria, associada ao artesanato, à música, à vida comunitária e à valorização da natureza.
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| Às margens da RJ-151, em Maromba, um mirante oferece uma bela visada para o Rio Preto, permitindo observar de um ponto privilegiado a paisagem que acompanha a estrada e marca a divisa natural entre os estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais. FOTO: ÉDIPO AMARAL | MOBILIDADE FLUMINENSE |
Nas décadas seguintes, o antigo refúgio alternativo passou por crescente transformação com a expansão do turismo e a melhoria da infraestrutura de acesso. Atualmente, Maromba mantém parte desse caráter descontraído, integrado a uma estrutura turística consolidada. As cachoeiras e os poços do Rio Preto permanecem entre os principais elementos da paisagem e da atividade turística local, enquanto as trilhas e os caminhos que partem do povoado aproximam o visitante do ambiente natural da Mantiqueira.
A própria estrutura turística da região se organiza em torno da água. Entre os atrativos associados a Maromba estão o Poção do Maromba, a Cachoeira do Escorrega e a Cachoeira Véu de Noiva, todos diretamente relacionados ao relevo e à rede hidrográfica local.
Mais uma vez, percebi que, nessa região, o rio não é apenas elemento paisagístico: ele organiza o turismo, define acessos, cria limites e condiciona a ocupação.
Retorno pela RJ-163 | Maringá → Penedo
Após percorrer Maringá e Maromba, retornei pelo eixo da RJ-151 e posteriormente à RJ-163, iniciando o caminho de volta.
O retorno permitiu observar novamente a transformação da paisagem em sentido inverso: das pequenas vilas e áreas de montanha para os trechos de maior circulação, até alcançar novamente o entorno de Penedo.
Ao reencontrar o Pórtico de Penedo, a paisagem turística voltou a assumir maior presença.
O distrito funciona hoje como uma das principais portas de entrada para esse conjunto de destinos da Mantiqueira, conectado diretamente à BR-116 pela RJ-163.
De Penedo, retornei pela RJ-163 até alcançar novamente a BR-116, encerrando o circuito. A volta à Rodovia Presidente Dutra representa também o retorno a uma escala de mobilidade completamente diferente.
Depois de horas percorrendo estradas sinuosas, vias locais, caminhos rurais e pequenos núcleos turísticos, reencontrei uma rodovia de padrão nacional, com tráfego intenso e função estratégica na ligação entre o Rio de Janeiro, São Paulo e o interior do Sudeste.
A viagem terminava, mas o contraste entre os diferentes sistemas de circulação permanecia evidente.
A Mantiqueira como território de caminhos
Ao longo de todo o percurso, uma característica ficou evidente: a Serra da Mantiqueira não é apenas um cenário turístico; ela é um território organizado pelos caminhos e pelas águas.
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| Ao longo do percurso pela região da Serra da Pedra Selada, os mirantes proporcionam diferentes visadas sobre o relevo da Mantiqueira. De pontos elevados, o olhar acompanha as encostas cobertas pela Mata Atlântica, os vales e o mosaico de propriedades rurais que ocupam as áreas mais baixas. Essas aberturas na paisagem permitem compreender, em escala mais ampla, a relação entre o relevo montanhoso, a vegetação e a ocupação do território. FOTO: ÉDIPO AMARAL | MOBILIDADE FLUMINENSE |
A BR-116 estabelece a ligação regional de maior capacidade. A RJ-163 penetra na serra e conecta Penedo, Serrinha e Visconde de Mauá. A RJ-151 acompanha o sistema do Rio Preto e articula Visconde de Mauá, Maringá e Maromba. As estradas locais, por sua vez, penetram nos vales, alcançam propriedades rurais, campings, cachoeiras e equipamentos turísticos.
A hidrografia funciona como outro grande elemento estruturador. Alambari e Pirapitinga drenam a Serrinha do Alambari; o Rio Preto organiza o Vale de Mauá e marca a divisa entre Rio de Janeiro e Minas Gerais; enquanto todo esse sistema hidrográfico integra a grande bacia do Rio Paraíba do Sul. A região do Parque Estadual da Pedra Selada está inserida na Região Hidrográfica III – Médio Paraíba do Sul.
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| Da Ponte que Balança, a paisagem se abre como uma janela para o Rio Preto. O curso d’água segue entre as margens densamente revestidas pela Mata Atlântica, enquanto as montanhas da Serra da Mantiqueira aparecem ao fundo, compondo um cenário que reúne rio, floresta e relevo em um único enquadramento. Neste ponto, o Rio Preto também ganha importância territorial: seu curso acompanha a divisa entre Rio de Janeiro e Minas Gerais, transformando a ponte em um lugar de encontro entre os dois estados. A transparência da água permite observar o leito pedregoso em alguns trechos, enquanto a mata ciliar acompanha o rio e reforça a característica natural do Vale. FOTO: ÉDIPO AMARAL | MOBILIDADE FLUMINENSE |
Também chamou minha atenção a maneira como a ocupação humana se distribui. Em vez de uma urbanização contínua, encontrei uma sequência de vilas, propriedades rurais, pousadas, restaurantes, campings e áreas protegidas, separados por extensos trechos de mata e relevo acidentado. Essa fragmentação espacial é parte da própria identidade da Mantiqueira.
No final, a viagem revelou muito mais do que uma sucessão de destinos turísticos. Foi uma expedição pelos caminhos que conectam montanha, água, conservação ambiental, turismo, imigração, ruralidade e mobilidade, mostrando como diferentes formas de ocupação foram se adaptando a um território em que a natureza continua sendo o principal elemento ordenador da paisagem.


































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