Rotas da Integração: Rio — Baixada Fluminense (via Av. Automóvel Clube)

A travessia entre o bairro da Pavuna, na Zona Norte do Rio de Janeiro, e o município de São João de Meriti, pela Avenida Automóvel Clube e vias adjacentes, representa um dos pontos mais sensíveis e estratégicos da mobilidade metropolitana da Baixada Fluminense.

A esquina da Avenida N. Sra. das Graças com a Rua Santo Antônio constitui um nó urbano fundamental na estrutura funcional de São João de Meriti. O intenso tráfego de ônibus e o comércio ativo refletem o papel do município como elo entre áreas residenciais densas da Baixada Fluminense e os principais polos de emprego da capital. Apesar de sua relevância estratégica, a região enfrenta limitações estruturais típicas de centros urbanos consolidados, exigindo intervenções que conciliem mobilidade eficiente, segurança viária e ordenamento do espaço urbano.


Nesse trecho, a circulação de linhas intermunicipais com integração direta ao sistema urbano do Rio reforça o caráter estruturante do corredor, conectando territórios densamente povoados a importantes polos econômicos e operacionais da metrópole.

Entre os serviços com presença destacada nesse eixo, sobressaem as linhas 106I, 421I, 422I, 423I, 428L, 437I, 553I, 564I, 715L, 720L, 724I, 729L, 734L, 736L e 738L, que exercem papel fundamental na integração entre bairros periféricos, centros suburbanos e áreas centrais da capital.

Fundada em 1959, a Auto Viação Vera Cruz surgiu em São João de Meriti durante um período de intensa expansão urbana da Baixada Fluminense. Inicialmente operando linhas locais entre bairros meritienses e regiões próximas, a empresa rapidamente assumiu papel relevante na ligação com o limite da Pavuna e outros pontos de integração metropolitana. Ao longo das décadas de 1960 e 1970, expandiu suas operações para Belford Roxo, Nova Aurora e áreas vizinhas, acompanhando o crescimento populacional e a consolidação da Avenida Automóvel Clube como eixo estruturante. Nos anos 1980 ampliou sua capacidade operacional e rede de atendimento. Posteriormente reorganizada, manteve atuação estratégica em linhas intermunicipais com conexão direta a Bonsucesso, Madureira e outros polos da Zona Norte. Sua presença contribuiu diretamente para a urbanização de bairros periféricos e para a integração entre o sistema metropolitano, mantendo até hoje relevância no transporte regional.


O limite entre a Pavuna e São João de Meriti representa uma fronteira física e administrativa, mas, na prática, constitui uma continuidade urbana quase imperceptível. A Avenida Automóvel Clube atua como eixo de transição entre o tecido urbano consolidado da capital e a ocupação intensiva característica da Baixada Fluminense. Essa região se desenvolveu principalmente ao longo do século XX, impulsionada pela expansão ferroviária e rodoviária, que facilitou o deslocamento diário de trabalhadores para o Rio de Janeiro.

Com o passar das décadas, a ocupação tornou-se extremamente adensada, com bairros praticamente contínuos entre os dois municípios. Nesse contexto, as linhas intermunicipais desempenham papel vital, viabilizando a mobilidade cotidiana e a integração econômica regional. 

O terminal surgiu como consequência direta da expansão urbana da Zona Norte e da consolidação da Pavuna como ponto final natural das linhas intermunicipais provenientes da Baixada. Sua importância foi ampliada significativamente em 1998, com a inauguração da estação Pavuna do metrô, que transformou o local em um polo intermodal estratégico. Antes da chegada do metrô, muitas linhas seguiam até o Centro do Rio. Com a integração metroviária, a Pavuna passou a funcionar como terminal de transferência, reduzindo o tempo de viagem e redistribuindo o fluxo de passageiros. O terminal foi demolido oficialmente em 2012 após anos de abandono, deterioração estrutural e riscos à segurança pública. O fator decisivo foi o risco estrutural grave constatado pela Defesa Civil. Vistorias técnicas indicaram que o prédio apresentava condições avançadas de degradação, com possibilidade real de colapso. 

As linhas que utilizam esse eixo estabelecem conexões estratégicas entre a Baixada Fluminense e bairros-chave da Zona Norte do Rio de Janeiro, além de pontos de integração com o sistema ferroviário e metroviário. Entre elas, destacam-se:

106I – Nilópolis x São João de Meriti
421I – Pavuna x Geneciano
422I – Pavuna x Grama
423I – Pavuna x Tinguá
428L – Nova Aurora x Bonsucesso
437I – Nilópolis x Coelho da Rocha
553I - Pavuna x Barro Vermelho
561I - Pavuna x Santa Rita
564I - Pavuna x Santa Rita 
715L – Santa Marta x Cascadura
720L – Cascadura x Novo Rio
724I – Pavuna x Vale do Ipê
729L – São Vicente x Méier
734L – Vila Norma x Cascadura
736L – Jardim Botânico x Cascadura
738L – Jardim Metrópoles x Cascadura

Fundada em 1957, a Transportes Flores consolidou-se como uma das principais operadoras da Baixada Fluminense, com forte ligação histórica com São João de Meriti e o eixo da Avenida Automóvel Clube, onde estabeleceu sua sede operacional. Desde o início, a empresa estruturou linhas intermunicipais conectando Meriti, Nilópolis, Duque de Caxias e Nova Iguaçu, fortalecendo a integração regional. Durante as décadas de 1970 e 1980, expandiu significativamente suas operações e incorporou outras empresas, ampliando sua influência territorial. O eixo Pavuna–Meriti tornou-se um dos principais corredores atendidos, permitindo ligação direta com o metrô, a ferrovia e bairros suburbanos do Rio. Com a expansão metropolitana, passou a operar linhas estratégicas para Cascadura, Méier e o Centro do Rio, contribuindo decisivamente para o deslocamento de trabalhadores e o crescimento urbano. Atualmente, permanece como uma das maiores operadoras intermunicipais da região, com papel fundamental na mobilidade da Baixada.

Essas linhas cumprem funções distintas, como a alimentação do sistema metroferroviário na Pavuna, ligação direta com polos suburbanos como Madureira, Cascadura, Méier e Bonsucesso, conexão com áreas centrais e a integração entre bairros periféricos da Baixada e a capital.

A presença dessas linhas reforça o papel do eixo como corredor de integração metropolitana, conectando territórios de alta densidade a centros de emprego e serviços.

Aspecto de uma antiga passagem de nível que existia em frente à estação de trem do bairro, muito conhecida pelos inúmeros e trágicos acidentes em 1972. Ela foi fechada no início da década de 1990, quando o Viaduto da Pavuna também foi construído. Ao fundo, à direita, podemos ver os trilhos da então recém desativada E.F. Rio D’Ouro. Acervo: Arquivo Nacional.

A dinâmica urbana local pode impactar diretamente a regularidade das linhas, exigindo adaptações operacionais em determinados períodos. A região apresenta histórico recorrente de alagamentos, especialmente durante chuvas intensas. Isso ocorre devido a fatores como: Baixa altitude, sistema de drenagem insuficiente e elevada impermeabilização do solo. Esses eventos afetam diretamente o funcionamento das linhas que utilizam o corredor, podendo provocar atrasos e interrupções temporárias.

Temporal provocou enchente na região da Pavuna, Zona Norte do Rio de Janeiro. Muitos moradores ficaram ilhados em suas casas (Foto: Thiago Lara/Agência O Dia/Estadão Conteúdo)

A região apresenta adensamento extremo e presença de grandes comunidades urbanas e um dos mais densos e complexos territórios da Região Metropolitana. Entre as principais comunidades e complexos situados nas proximidades destacam-se: No lado do Rio de Janeiro (Pavuna e adjacências):

• Complexo da Pedreira
• Complexo do Chapadão
• Favela da Lagartixa Comunidade
• Beira Rio

Essas comunidades estão situadas em áreas próximas a importantes vias estruturais e influenciam diretamente a dinâmica urbana e operacional da região.

No lado de São João de Meriti a Favela da Linha, o Morro do Carrapato, a Comunidade Buraco da Lacraia e a Comunidade Jardim Metrópoles apresentam alta densidade populacional e forte dependência do transporte coletivo como principal meio de deslocamento.

A Viação São José é uma operadora tradicional da Baixada Fluminense, com origem ligada à expansão urbana de Nilópolis e São João de Meriti a partir da segunda metade do século XX. Inicialmente voltada ao atendimento de bairros periféricos, a empresa teve papel importante na ligação dessas áreas aos centros urbanos e às estações ferroviárias, fundamentais para o deslocamento diário da população trabalhadora. Com o crescimento populacional nas décadas de 1960 e 1970, ampliou suas operações e consolidou linhas estruturais conectando bairros residenciais a polos comerciais e aos principais eixos viários regionais. Com a expansão urbana em direção ao limite com o Rio de Janeiro, a empresa passou a atender diretamente áreas estratégicas como Coelho da Rocha, Centro de São João de Meriti e regiões próximas à Pavuna, reforçando a integração com o sistema metropolitano. Essa ligação permitiu conexão com metrô, trem e linhas intermunicipais, consolidando o eixo Pavuna–Meriti como ponto fundamental de integração. Ao longo das décadas seguintes, a empresa manteve papel relevante na mobilidade local, operando linhas alimentadoras essenciais para a integração regional. Sua atuação contribuiu diretamente para o desenvolvimento urbano e para a consolidação do transporte coletivo como principal meio de deslocamento entre bairros da Baixada Fluminense e a capital.

A presença dessas comunidades e o elevado adensamento urbano geram impactos diretos na mobilidade e na infraestrutura local. Entre os principais desafios estão: Saturação viária O grande volume de veículos, combinado com a limitação física das vias, resulta em congestionamentos frequentes e redução da velocidade operacional das linhas. A ausência de faixas exclusivas e a presença de pontos informais dificultam a fluidez do transporte coletivo.

A análise territorial dessa área permite compreender diretamente os impactos operacionais e urbanos sobre as linhas intermunicipais e metropolitanas que utilizam esse eixo como ligação estratégica entre a Baixada Fluminense e o sistema metroferroviário da Pavuna.

A configuração urbana da região limítrofe entre Pavuna, na Zona Norte do Rio de Janeiro, e o município de São João de Meriti revela uma característica estrutural determinante para a mobilidade urbana: a ferrovia operada pela SuperVia funciona como uma linha física de separação territorial entre áreas densamente urbanizadas, ao mesmo tempo em que o sistema metroviário operado pela MetrôRio e a Avenida Automóvel Clube atravessam diretamente zonas com forte presença de controle informal do território. Essa sobreposição entre infraestrutura crítica de transporte e áreas de alta complexidade urbana gera impactos operacionais, sociais e de segurança pública que afetam diretamente o funcionamento do sistema metropolitano.

A operação de linhas ao longo da Avenida Automóvel Clube e vias adjacentes enfrenta interferências recorrentes que afetam diretamente a regularidade e previsibilidade do serviço. Entre os principais impactos operacionais observados estão: Interrupções temporárias de circulação, o bloqueio de vias com objetos ou barreiras improvisadas impede a passagem de ônibus, exigindo: desvios operacionais, encurtamento de itinerários e até mesmo a suspensão temporária de serviços.


As carcaças dos ônibus incendiados ainda na Avenida Pastor Martin Luther King Jr. O transporte coletivo, por sua presença constante e visibilidade, frequentemente torna-se alvo de ações que resultam em: danos à frota, perda operacional de veículos e interrupção prolongada de linhas. Esses episódios geram impacto financeiro às operadoras e reduzem a capacidade de atendimento.
Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

Um dos efeitos mais relevantes dessa configuração é a evasão tarifária no transporte. Nos ônibus, esse fenômeno ocorre de diversas formas operacionais, incluindo: embarque pelas portas traseiras sem validação, entrada coletiva em situações de retenção do veículo, impossibilidade de controle tarifário em bloqueios viários e embarques fora dos pontos oficiais.

Esse cenário é particularmente comum nos trechos próximos às áreas de maior concentração populacional. Diferentemente do metrô e do trem, o sistema de ônibus opera em via pública aberta, o que o torna mais vulnerável à evasão tarifária. As consequências incluem perda direta de receita para as empresas operadoras, impacto no equilíbrio econômico das linhas e maior dificuldade na manutenção da qualidade do serviço.

Carro incendiado foi abandonado na linha férrea em Costa Barros — A região de Costa Barros e Barros Filho frequentemente sofre com tiroteios que afetam a operação dos trens. Em agosto de 2025, um tiro na rede aérea paralisou quatro estações. Mais recentemente, em janeiro de 2026, tiroteios causaram novas suspensões no ramal.
Foto: Reprodução/TV Globo 

Apesar dos desafios estruturais, o eixo Pavuna–São João de Meriti permanece como um dos mais importantes corredores de mobilidade da Baixada Fluminense, onde as linhas que trafegam pelo corredor exercem papel fundamental na integração territorial, conectando áreas densamente povoadas a polos de emprego, educação e serviços. Esses serviços garantem acessibilidade urbana para milhares de passageiros diariamente e constituem parte essencial da rede de mobilidade da Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

Fundada em 16 de setembro de 1966, a Empresa de Transportes Santa Terezinha estabeleceu sua sede no bairro Tomazinho, em São João de Meriti, com atuação inicial voltada à ligação entre Nilópolis e a Pavuna, atendendo áreas em expansão urbana na Baixada Fluminense. Ao longo das décadas de 1970 e 1980, a empresa expandiu suas operações ao adquirir linhas da Viação Esperança e realizar permutas operacionais com a Viação Aparecida, consolidando sua presença em bairros estratégicos como Vila Norma, Éden, Tomazinho e Coelho da Rocha. Com essa expansão, a Santa Terezinha passou a desempenhar papel essencial na integração entre Nilópolis e São João de Meriti, estruturando ligações diretas com o Centro municipal e comunidades periféricas. Linhas como 106I, 107I e 437I fortaleceram a conexão intermunicipal e ampliaram o acesso ao eixo Pavuna–Automóvel Clube, facilitando a integração com o transporte metropolitano. Paralelamente, a empresa consolidou sua atuação no sistema municipal com linhas circulares e alimentadoras, garantindo mobilidade entre bairros residenciais e os principais corredores urbanos. Sua operação contribuiu diretamente para o desenvolvimento urbano de áreas densamente povoadas e para a integração funcional entre Nilópolis, São João de Meriti e o limite com o Rio de Janeiro, mantendo até hoje papel relevante na mobilidade local e regional.

A Avenida Automóvel Clube e seus acessos representam muito mais do que uma via de ligação entre dois municípios. Trata-se de um eixo vital para o funcionamento da mobilidade metropolitana, conectando territórios marcados por alta densidade populacional, intensa atividade econômica e complexa dinâmica urbana. Nesse cenário, as linhas que utilizam esse corredor desempenham papel decisivo na sustentação da mobilidade cotidiana, consolidando a travessia Pavuna–São João de Meriti como um dos principais pontos de integração entre a capital e a Baixada Fluminense.
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