Caminhos da Serra: Serras da Bocaina, Mangaratiba e Mazomba

Consiste num imponente alinhamento serrano que se notabiliza como uma muralha montanhosa, alçada por tectônica a mais de 1.000m de altitude. Esse escarpamento mergulha diretamente sobre as águas das baías da Ilha Grande e de Sepetiba por meio de costões rochosos, produzindo uma paisagem pontilhada de ilhas, cabos, sacos e enseadas que configuram o litoral sul fluminense.

Esse escarpamento prolonga-se ininterrupta- mente desde a serra de Parati – um grande esporão que parte da escarpa principal da Serra da Bocaina e demarca a divisa com o estado de São Paulo – até a escarpa da serra do Mazomba, alcançando a baixada de Sepetiba. Consiste num importante segmento da cadeia montanhosa da Serra do Mar, que prossegue, a oeste, no litoral norte do Estado de São Paulo.


A localidade do Taquari inclui, além da área de assentamento do Incra, uma área de preservação ambiental (já que parte dela localiza-se dentro do Parque Nacional da Bocaina), uma área de fazenda (de propriedade da White Martins) ocupada por posseiros e uma área em processo de urbanização.

Cada uma das áreas que compõem a localidade do Taquari recebe um nome específico, a saber: Sertão de Taquari, Areal, Vila da Penha Taquarizinho e Sertãozinho. O bairro Taquari conta, hoje, com um total de 270 famílias que podem ser consideradas habitantes regulares do mesmo. Resultou da intervenção do Incra que, para solucionar vários conflitos de terras nos anos 1970 e 1980, resolveu desapropriar parte das fazendas Taquari e Barra Grande, dando origem ao assentamento de Taquari em 1983.

A escarpa da Serra da Bocaina caracteriza-se como um relevo de transição entre os terrenos planos das exíguas baixadas fluviomarinhas que ocupam as reentrâncias do litoral, recortado do sul fluminense e a zona colinosa a montanhosa do planalto da Bocaina.


O desenho geográfico original de Tarituba é o de uma extensão de terra que desce da serra até se encontrar com uma calma baía, onde sua praia forma uma ferradura encerrada em ambos os lados por morros, dando uma sensação de proteção e acolhimento. Desta praia, vê-se outras ilhas espalhadas, sendo amais próxima, a Ilha do Pelado.

Aquele suave declive que no passado recebeu muitos pés de café, passou a ser ocupado com as casas das famílias quefundaram aquela comunidade. Daquela serra, escorre o Rio Perequê para se encontrar com as águas salgadas daquela baía. 

Tarituba é uma vila que se desenha descendo de um pequeno morro da Serra da Bocaina findando ao encontrar-se com o mar tranquilo da baía da Ilha Grande. Esse relevo em forma de ferradura, que hoje é dividido ao meio pela BR101 Rodovia Rio-Santos, abrigou outrora uma grande fazenda de café, como tantas outras naquela parte do litoral, apontando sua produção para o mar de onde seguia para ser escoado por Angra dos Reis e Paraty. Está localizada entre essas duas cidades que foram muito importantes no processo de escoamento da produção de diversas riquezas na direção de Portugal.

Como caiçaras, edificaram aquele espaço de acordo com suas necessidades. Ainda em 1989, o cais em que as embarcações atracavam era demadeira e ficou assim até ser substituído por outro de concreto em meado dos anos 1990. Em frente à praia, ainda há as pequenas edificações feitas para guardar os barcos, redes e outros objetos ligados ao trabalho no mar.


Rios de planalto descem vertiginosamente a escarpa em direção aos fundos de enseadas e em- baíamentos da baía da Ilha Grande, tais como os rios do Funil, Mambucaba, Bracuí-Paca Grande e Ariró. Rios menores drenam exclusivamente a escarpa da Serra da Bocaina, tais como os rios Parati-Mirim, Perequê-Açu, da Barra Grande e do Frade, dentre outros.

A Bacia do Rio Jurumirim abrange as comunidades de Serra d'Água, Águas Lindas e Zungu, com área total de 70km² e população de aproximadamente mil habitantes, a maioria residente na Vila da Serra d'Água, local onde se concentram o comércio e os serviços (escola, posto de saude, associação de moradores). As principais atividades econômicas são as agro-pastoris (banicultura, criação de gado e agricultura de subsistência), as extrativistas (estração de areia do Rio Jurumirim e exploração de brita), o pequeno comércio (bares, pensão, padaria, mercado, lojas) e as pequenas indústrias (fábrica de blocos de cimento e tijolos e fábrica de gelo).


Essa unidade é caracterizada por uma majestosa barreira orográfica, sendo que sua linha de cumeada sustenta altitudes entre 1.400 e 1.700m, a oeste do rio Mambucaba, e em torno de 1.000 a 1.200m, entre o rio Mambucaba e o colo da estrada Angra dos Reis-Lídice. Destaca-se, nesse trecho, o Pico do Frade (1.589m).


A Vila Residencial é a última praia do município de Paraty, na direção de Angra dos Reis. Logo após a praia, passa o Rio Mambucaba, que faz divisa entre os dois municípios. Do outro lado do rio fica a Vila Histórica de Mambucaba. Nesta praia foi criada uma vila residencial destinada aos trabalhadores da usina nuclear de Angra dos Reis. Apesar de ser um bairro residencial com muitas casas, a praia fica bem vazia fora de finais de semana e da alta temporada.

Mambucaba se encontra no 4° distrito do município de Angra dos Reis. Do final do século XVIII ao XIX, essa localidade foi importante porto exportador de café e importador de escravos para o Vale do Paraíba, situado na foz do Rio Mambucaba, já que aqueles que eram comprados no Município Neutro, atual cidade do Rio de Janeiro, vinham em embarcações até as ilhas situadas em frente à Vila e, lá, era feita sua triagem e encaminhamento para as fazendas serra acima.

As escarpas das serras de Mangaratiba (ou das Lajes) e do Mazomba consistem em um prolongamento a leste da escarpa da Serra da Bocaina. Formam um relevo de transição entre a depressão interplanáltica do médio vale do rio Paraíba do Sul, onde se assentam os núcleos urbanos de Lídice e Rio Claro e o reservatório de Ribeirão das Lajes, e as exíguas baixadas fluviomarinhas, situadas em reentrâncias das baías da Ilha Grande e de Sepetiba.


A Serra do Piloto pertence a APA de Magaratiba, com grande representatividade do ecossistema de Floresta ombrófila densa. O local obteve destaque em meados do século XIX, quando era ponto de passagem de escravos e café que iam rumo ao município por meio da Estrada São João Marcos, antiga Estrada Imperial, a primeira via de rodagem do Brasil, datada de 1856.

São João Marcos foi, durante mais de 50 anos, parte do município de Resende. Sua História se inicia em meados do século XVIII com a busca pelas minas gerais realizada pelos bandeirantes que passavam por essa região. Com o desenvolvimento da região, seus habitantes começaram uma luta pela separação de seus territórios do domínio do município de Resende. A maior e mais moderna usina hidrelétrica do país foi construída no município de Piraí. Sua construção se iniciou em 1905 e três anos depois ela foi posta em operação. Para alimentar essa usina foi utilizado o Rio Ribeirão das Lajes, que cortava São João Marcos, pelo qual seria possível a inundação da cidade, para que pudesse encher suas barragens. Aos poucos, embora num processo relativamente rápido, as águas da represa foram se aproximando de São João Marcos e a destruição começou a ser sentida pelos que viviam mais próximos às águas. Como muitos, ao saírem de São João Marcos, se espalharam pelos distritos de Rio Claro e pelos lugares próximos à antiga cidade, o Macundu, que recebeu boa parte dos marcossenses, é visto por alguns como a nova São João Marcos. No Local existe até a festa do padroeiro São João Marcos, que acontece no mês de agosto. Macundu foi uma fazenda que, por ficar próximo ao ex-município, acabou se tornando de fácil acesso para os que não podiam ir muito longe.

Ao longo de 40km de extensão, a estrada oferece uma bela vista para a Baía de Mangaratiba, o que atrai bastante turistas em busca de trilhas ou esportes de aventura por quedas d´água como as cachoeiras dos Escravos e ruínas de São João Marcos. Contudo, a Serra do Piloto também chama a atenção pelos prédios antigos de linhas arquitetônicas simples, típicas do período colonial, pontos e algumas ruínas.


As Serras do Matoso (Itaguaí) e Serra do Piloto (Mangaratiba) são locais de características rurais e serranas, situados nas regiões metropolitanas e Costa Verde, tem seus limites geográficos em região de serra com municípios de Seropédica, Piraí e Rio Claro

A Serra do Matoso, iniciando no entroncamento entre a estrada do Cacau, subindo a direita por toda a estrada do caçador, separando com a estrada do Nono, pelo distrito de Ibituporanga, perfazendo um total de 8.2 Km². Já a Serra do piloto, situado no Município de Mangaratiba, inicia nas Ruínas da praia do Saco, seguindo sentido RJ-149 Estrada de São João Marcos, região conhecida como “Do Saco”, onde se encontra o “centro da Serra do Piloto”, com uma distancia média de 12.3 Km.

O nome da Serra do Mattoso têm origem na família do mesmo nome, cujo patriarca é Francisco da Silveira Mattoso, natural da freguesia de Santa Bárbara - Ilha do Falal. No alto desta serra, encontram-se as comunidades do Santarém, Fazendinha, Nonô, Nova Aliança, Serra do Matoso, Benfica, Fazenda Coroação e Fazenda Andrade - Foto: Reprodução da internet

Ao todo o curso entre ambas as localidades somados perfazem um total de 20.5Km² se for incluído o percurso que interliga ambas as serras o percurso total aumenta para 50. Km², sendo boa parte de “chão de terra batido” e sem atrativos de paradas. Ambas localidades, Serra do Matoso e Serra do Piloto), interligam-se por uma saída vicinal de estrada após o centro da Serra do Piloto, localizado entre o Parque Estadual do Cunhambebe e a Represa de Ribeirão das Lajes, encontrando-se com a estrada do Nono nas proximidades do Rancho Claudio Cordeiro.


Tanto Serra do Matoso como Serra do Piloto, apresentam características espaciais similares, com uma predominância de floresta ombrófila densa, vegetações predominantes do bioma da Mata Atlântica, com características de elementos territoriais rurais, como coesão social e cultural de seus atores, espaços com pequenas e medias vilas e povoados. 

Nestas localidades foram identificados grandes espaçamentos de terra sem a presença permanente do homem, com domicílios recenseados em toda a extensão de sua área, situado nos limites dos espaços urbanos. Ambiente natural pouco modificado e/ou parcialmente convertido as atividades agro-silvopastoris; baixa densidade demográfica população pequena; base na economia primária e seus encadeamentos secundários e terciários; hábitos culturais e tradições típicas no universo rural.

O homem mais rico do Brasil no século XIX foi o comendador Joaquim José de Souza Breves, ‘O Rei do Café’ e o maior escravocrata nacional. Ele construiu o Porto do Saco e, pela estrada, escoava toda a sua produção de café e traficava seus escravos. Existem ruínas na Praia do Saco, em Mangaratiba, referentes a armazéns. No local também eram realizados leilões de escravos. O porto da Praia do Saco era considerado um dos mais movimentados do país nesse período.

Uma economia baseada em uma na atividade rural, dependentes diretas da natureza, com baixa densidades populacional, complexidade social e mobilidade social, tendo diferenças na homogenia e heterogenia da população. Ambas as localidades (Serra Matoso / Serra do Piloto), apresentam ao longo de suas extensões potencialidades turísticas, que remetem a caminhos indígenas dos séculos XVII e XVIII, e atividades de seres humanos escravizados, principalmente no trabalho de construção de engenharia e em atividades relacionadas ao caminho de escoamento do ouro que vinha de Minas Gerais e posteriormente nas rotas do ciclo cafeeiro do Médio Paraíba durante o século XIX.


As principais drenagens que drenam essas escarpas são as dos rios Japuíba, Ingaíba e do Saco. O rio Mazomba, por sua vez, não desemboca diretamente no litoral, atravessando um grande trecho da baixada fluviomarinha de Sepetiba. O nome Ingaíba aparece nos primeiros mapas da região no século XVI, já com certo destaque pela belíssima composição de sua área de grande planície, cercada de montanhas e cortadas por grandes rios. Já no século XVIII, grandes fazendeiros começam a se estabelecer na região de Mangaratiba à procura de terras férteis. Neste período esta localidade se destacava pela grande produção de arroz, anil e de mandioca (na região do Batatal).

Durante todo o século XIX Ingaíba se destacou como uma das áreas mais produtoras de Mangaratiba. Com seus engenhos, fazendas e casas de negócio exportavam centenas de arroubas de café, milho, arroz, feijão e farinha etc. Após a decadência do Povoado do Saco (1864), toda a atenção das autoridades do município ficou virada para Ingaíba, por esta ser a principal área produtora de Mangaratiba. Em 1881, a Ingaíba é citada nas Atas da Câmara como centro de maior produção desse município.

A linha de cumeada do topo do escarpamento sustenta altitudes entre 1.200 e 1.400m, na serra de Mangaratiba, atingindo cotas superiores a 1.500m (Morro das Lajes – 1.692m), e em torno de 900 a 1.200m, entre o colo do rio do Saco e a porção terminal da serra do Mazomba.

Garatucaia faz divisa com o município de Mangaratiba, está a 28 Km do Centro de Angra. É uma praia muito procurada  por surfistas, ávidos pelas suas águas agitadas, a Praia de Garatucaia é rodeada por condomínios particulares e casas de veraneio. No dia 13 de Novembro de 1996 foi instituída a área de Proteção Ambiental – APA de Garatucaia, constituída pelas localidades denominadas de Cantagalo, Sororoca, Canto dos Pescadores e Caetés, pelos loteamentos Garatucaia e Cidades da Bíblia e pelas vertentes à montante da BR 101, no trecho descrito.

Importantes espigões destacam-se do escarparmento principal e prolongam-se em direção à linha de costa ao longo de todo esse alinhamento monta- nhoso, tais como as serras de Parati, da Pedra Branca, do Frade, de Capivari e de Muriqui. Tais feições conferem um padrão de escarpas festonadas e digitadas ao conjunto montanhoso.

Vales estruturais de direção W-E (rios Pequeno, da Barra Grande e Mazomba) e SW-NE (Rio do Saco) demonstram um relativo controle estrutural no processo de dissecação diferencial da escarpa, que ainda apresenta um aspecto monolítico, apesar da ocorrência de colos bastante rebaixados em trechos específicos.


O Vale do Mazomba fica no Parque Estadual Cunhambebe (que abrange as cidades de Itaguaí, Mangaratiba, Angra dos Reis e Rio Claro). Rota dos trilheiros rumo à Serra do Mar, é também o acesso às cachoeiras de Itimirim e Itinguçú, com grandes quedas d’água. Outras cachoeiras estão ao longo do caminho. A Cachoeira do Bicão tem acesso pela rodovia Rio-Santos.

Em fins do século XVIII, com a expansão cafeeira, o pólo dinâmico da atividade econômica deslocou-se de Parati para Angra. Isso se deu em virtude não só das vantagens do porto localizado na vila de Angra, mais profundo e livre de assoreamento; mas também, pela existência de pequenos embarcadouros naturais, caso de Jurumirim, Bracuí, Ariró, Frade e Mambucaba, fixados na Baía da Ilha Grande, próximos às produtoras de café “serra acima. O litoral sul-fluminense especializou-se no escoamento da produção proveniente do vale do Paraíba. Isso ocorreu em função da abertura ou melhoria das estradas. Em Angra chegavam tropas de São João Marcos, de Resende, de Piraí, de São Paulo e de Minas Gerais. Entretanto, em torno de 1860, houve a diminuição das saídas de embarcações com café dos portos angrenses, associada à construção da Estrada de Ferro D. Pedro II que, em 1864, chegou a Barra do Piraí, em 1871, a Barra Mansa e, em 1877, a Queluz. Consequentemente, a partir de 1870, “em Angra dos Reis, os casarões assobradados que tinham depósitos de café na parte térrea, foram sendo abandonados e começaram a ruir. Destino semelhante tiveram as estradas que conduziam as produções até o litoral, como as de Ariró, de Mambucaba e de Parati.

Acima da cota de 100m, todo o escarpamento a oeste do rio Mambucaba pertence ao Parque Nacional da Serra da Bocaina. Todavia, as baixas vertentes desse escarpamento estão fortemente impactadas devido à abertura da rodovia Rio-San- tos (BR-101) na década de 70.

A implantação da rodovia acelerou o crescimento urbano das antigas vilas de pescadores e a proliferação de condomínios de alta renda, através do desenvolvimento de atividades turísticas e do setor industrial calcado na indústria naval e nas usinas nucleares, em detrimento das atividades portuária e pesqueira.

Em decorrência, os processos de movimentos de massa, bastante comuns na região, foram potencializados pela abertura da rodovia e pela expansão da malha urbana de Angra dos Reis.


Durante a primeira metade do século XX, o crescimento urbano de Rio Claro esteve relacionado com o tráfego ferroviário. O ramal Barra Mansa-Angra dos Reis era a via por onde as indústrias de Barra Mansa recebiam suas matérias-primas e faziam escoar seus produtos. Rio Claro, Lídice e Getulândia correspondiam a estações de passagem. Apesar da importância do eixo ferroviário, a economia municipal permaneceu concentrada no setor primário, sem grande desenvolvimento urbano.



O tráfego de passageiros até Angra dos Reis, descendo e subindo a serra, foi extinto entre 1979 e 1980, mas alguns trens turísticos foram implantados depois disso. Enquanto a RFFSA era a dona da linha, até 1996, eles funcionaram. Com a entrada das concessionárias, eles foram suprimidos.

O distrito de Lídice, é marcado historicamente pela degradação da vegetação nativa, primeiro para produção de café, pecuária e horticultura nos séculos XVIII e XIX, impulsionados pela construção de ferrovias, e depois pela industrialização e produção de carvão vegetal. No distrito está localizada a Comunidade Quilombola do Alto da Serra do Mar, criada por descendentes de trabalhadores escravizados em fazendas de café na região do Médio Paraíba. Essa população presenciou a expansão da produção agrícola avançar sobre a floresta nativa da Mata Atlântica por séculos, ameaçando a biodiversidade.

A partir de 1950, a pavimentação da rodovia de acesso a Angra dos Reis induziria pequeno crescimento, particularmente em Passa Três. A sede municipal se localiza nas margens do Rio Piraí, sendo cortada por um de seus afluentes, o Rio Claro.

A proibição do tráfico escravo e, posteriormente, a abolição da escravatura desorganizaram a economia da região baseada na exploração do latifúndio e fortemente dependente da mão de obra escrava. A decadência foi tão grande que o Município de Mangaratiba foi extinto em 08 de maio de 1892, apesar de ter sido restabelecido alguns meses mais tarde, em 17 de dezembro do mesmo ano.

Os portos de Mangaratiba e do Sahy ficaram desertos e inúmeras edificações foram abandonadas, tais como os grandes solares, armazéns, o teatro, conforme atestam as ruínas hoje existentes no Saco de Cima e na Praia do Sahy. A estagnação econômica foi total, sendo Mangaratiba um exemplo de cidade nascida de uma rota comercial que não tinha bases produtivas próprias que permitissem uma autonomia.

A atividade era apenas reflexo da produção agrícola existente na região serrana e pereceu diante do surgimento de novas alternativas produtivas e comerciais. A estagnação da economia e da vida em Mangaratiba persistiu até 1914 quando foi concluído o ramal da Estrada de Ferro Central do Brasil, que integrou o Município no sistema ferroviário do Rio de Janeiro. Posteriormente ocorreu um ligeiro progresso econômico propiciado pela exportação de bananas e pela construção de residências de veraneio ao longo da linha férrea ou concentradas em alguns núcleos urbanos.

Na década de quarenta deste século ocorreram os grandes loteamentos na orla marítima como Muriqui, Praia do Saco, Itacuruçá e outros e em 1942 foi aprovado o primeiro código de obras para o Município.

Graças à sua situação privilegiada na Baía de Sepetiba, Itacuruçá foi escolhida pelas empresas de turismo marítimo para base de operações de passeios mundialmente famosos, conhecidos como “Ilhas Tropicais”. Ali também se encontra a Delegacia da Capitania dos Portos. O distrito resiste o quanto pode à invasão do progresso desordenado. Suas ruas estreitas e calçadas de paralelepípedo sempre limpas, ainda exibem o casario do início do século.

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