BARRA ALEGRE | Bom Jardim

No período antecedente a última metade do século XVIII apenas transitava por esta região alguns poucos grupos indígenas, em busca das margens do baixo rio Grande, ou do caminho menos longo, em direção ao vale do Paraíba. Dos quais, na vertente do Rio Grande, no atual município de Bom Jardim, chegou a ser consolidado um aldeamento de índios Guarulhos. Esta região, serviu de abrigo a grupos indígenas como os: Coroados, Puris, Coropós e Guarus. Para além dos grupos indígenas, Pesquiss apontam a possível existência de grupos quilombolas neste período.


A geografia acidentada, a distância dos centros e a precariedade do acesso levaram a um movimento migratório. Atualmente restam menos de 8 famílias morando e produzindo na região. Há também três reservas particulares do patrimônio natural, RPPN, ou seja, áreas de conservação da natureza em terras privadas. O proprietário é quem decide se quer fazer de sua propriedade, ou de parte dela, uma RPPN, sem que isso acarrete em perda do direito de propriedade. As RPPNs são unidades de conservação de proteção integral e perpétua, cujo maior objetivo é manter a diversidade biológica. Sendo permitidas na reserva atividades recreativas, turísticas, de educação e pesquisa, desde que sejam autorizadas pelo órgão ambiental responsável.


A partir de meados do século XVIII, alguns exploradores, principalmente de origem portuguesa, em companhia de trabalhadores escravizados e assalariados, também começaram a percorrer esta região na busca de metais preciosos. Assim, iniciando o processo de colonização deste espaço, com a fixação de ‘pousos de tropa’ em suas terras, destinados a servir de abrigo aos viajores e aventureiros. Posteriormente, estas expedições instigaram o surgimento de diversas lendas sobre os aventureiros que circularam pela região, a começar pelo famigerado “Mão de Luva.

A presumível existência de minas auríferas nesta região levou o Governo Metropolitano a nomear dois Guardas-Mores, com jurisdição que abrangia as ‘Novas Minas do Sertão de Cantagalo’, no último quartel do século XVIII. Assim, o Governo visava dificultar o acesso a região e o contrabando de ouro, observável em fins do século XVIII. Entretanto, as expedições em busca de metais preciosos logo demonstraram não serem compensatórias, em vista da ínfima quantidade encontrada nas regiões elevadas das vertentes do rio Grande, que exigiam um extenuante trabalho para serem encontradas, assim, nos anos subsequentes foram abandonadas.

As investidas governamentais contra os grupos de aventureiros que buscavam ouro, juntamente com a colonização oficial da região de Cantagalo, a partir de fins do século XVIII, ensejaram numerosos pretendentes a requererem do Governo a posse de Sesmarias na região, que atualmente compreende o município de Bom Jardim. Dentre os requerentes de Sesmaria na região, um dos pioneiros foi o Padre Vicente Ferreira Soares, que obteve a escritura da ‘Fazenda Bom Jardim’ em 1805. Além da ‘Fazenda Bom Jardim’, destaca-se a estruturação das seguintes fazendas, de fins do século XVIII a princípios do século XIX na região que atualmente compreende o município de Bom Jardim: ‘Fazenda Santa Teresa’, ‘Fazenda de Santa Bárbara’, ‘Fazenda da Soledade’, ‘Fazenda da Boa Vista’, ‘Fazenda de Santa Rita’, ‘Fazenda da Barra Alegre’, ‘Rancharia’, ‘Sesmaria de Santo Antônio’, ‘Fazenda Nossa Senhora do Socorro’, ‘Fazenda Barra Alegre’ e ‘Fazenda Campo Alegre’.

Neste processo, os primeiros núcleos populacionais na região que atualmente forma o município de Bom Jardim teriam se formado “na margem do rio São José, na zona compreendida pela Serra dos Órgãos, cuja colonização se atribui à influência irradiadora da cultura cafeeira, para o interior da província, verificado em princípios do século citado (XIX)”. Ao iniciar-se o século XIX, observa-se um crescente afluxo de famílias para a região, que se disseminaram pelos quadrantes das fazendas já existentes. Levas migratórias que eram atraídas pelas possibilidades de desenvolvimento da agricultura na região.


A expansão das atividades agrícolas na região em princípios do século XIX, destinavam-se, principalmente, a abastecer a área mineira com alimentos. Assim, observa-se que neste contexto o interior fluminense foi devassado com a construção de estradas ligando a região mineira ao litoral em que se constituíam fazendas. Desta forma, a área foi sendo progressivamente aberta à penetração de fazendeiros vindos quase sempre de Minas Gerais e que preparam o terreno para o advento das fazendas de café que, já em na primeira metade do século XIX, vinham se “estendendo ao longo do Vale do Rio Grande”.

Fazenda Jorge Tardin em Barra Alegre - Foto: Reprodução da internet

Ao longo deste processo, observa-se que a maioria das fazendas anteriormente instituídas foram sendo divididas e subdivididas nas primeiras décadas do século XIX. Com a dinamização da agricultura na região, grande parte da mata nativa existente acabou por ser derrubada, abrindo espaço para a produção, principalmente, de cafeeiros, como também de cereais e arvores frutíferas, que produziam instigantes colheitas. A expansão da produção cafeeira para esta região teria se dado, sobretudo, a partir da década de 40 do século XIX, fazendo parte do segundo eixo de expansão de produção desta rubiácea: O segundo eixo partiu da baixada fluminense, onde as principais localidades cafeeiras estavam em São Gonçalo e Vila de Santo Antônio de Sá (atual Itaboraí). De lá o cultivo do café chegou a Cantagalo, na década de 1840, e fez uma nova penetração para o nordeste alcançando Nova Friburgo, Aldeia da Pedra (atual Itaocara), Bom Jesus de Monte Verde (atual Cambuci) e São Fidélis de Sygmaringa.


Acerca da produção cafeeira nesta região, merece destaque o papel desempenhado pelo imigrante português Antônio Clemente Pinto, primeiro barão de Nova Friburgo, que enriquecera com o comércio do café e tráfico de escravos. Em meados do século XIX Pinto já possuía: uma das maiores fortunas de todo o país, proprietário de duas dezenas de fazendas, nas regiões de Nova Friburgo, Cantagalo e São Fidélis, e imóveis urbanos, como os palacetes Nova Friburgo (atual palácio do Catete), localizado na Corte, e do Gavião, em Cantagalo.


O processo migratório para a região ainda seria incrementado por suíços e alemães no inicio do século XIX. A partir da segunda década deste século, começaram a ser estabelecidas colônias de migrantes suíços e alemães em Nova Friburgo. As quais somar-se-iam levas de migrantes italianos a partir de fins do século XIX. Neste sentido, lembra-se que as levas migratórias, em inícios do século XIX, eram motivadas pelas dificuldades enfrentadas na Europa. Onde as terras desgastadas tinham um baixo rendimento produtivo e estavam extremamente concentradas nas mãos de poucos latifundiários. Ao mesmo tempo, os impostos eram bastante elevados e a concentração populacional alta. Por sua vez, a intensa industrialização também não apresentava melhoras para grande parte da população, em vista das paupérrimas condições de trabalho oferecidas aos contingentes proletarizados.

O Bar Mercearia Bossa Nova foi construído por Jorge Tarden na década de 1960, em vista do grande número de visitantes que chegavam à propriedade, atraídos pelas partidas de futebol. Ao lado desta edificação havia também a padaria “Panificação Jorge Tardin”, construída no mesmo período do bar. Atrás destas edificações encontra se o campo de futebol. - Foto: Reprodução da internet


Por outro lado, havia o interesse de países com ‘vazios demográficos’, como o Brasil, em atrair estes imigrantes, o que foi realizado através de ações estatais, principalmente na primeira metade do século XIX, como também por meio de empresas colonizadoras, de capital privado, que ganharam maior expressão a partir da segunda metade do século XIX. Com a atração de imigrantes europeus para regiões de terras ‘disponíveis’, o governo imperial Brasileiro objetivava: o branqueamento racial; ocupação de ‘vazios demográficos’, em vista dos constantes conflitos com os países platinos; valorização fundiária destas terras; disseminação de técnicas e produtos praticados na Europa; além da vinculação da produção oriunda destas regiões aos circuitos mercantis estabelecidos.


Com estes objetivos foram distribuídas sementes de centeio, trigo e cevada para os migrantes, como também tentou-se o cultivo de uva na região. Todavia, como em outras partes do Brasil, a colonização se mostrava hostil a floresta e avessa aos seus produtos. Desta forma, os migrantes logo adotaram os procedimentos comuns na agricultura e criação brasileiras fazendo largo uso do fogo como instrumento de destruição da mata. Por outro lado, também passaram a praticar técnicas que contemporaneamente vem sendo percebidas como extremamente sustentáveis, onde o exemplo mais expressivo é a prática do pousio, herança deixada pelos povos indígenas.

Pelas limitações de desenvolvimento da agricultura em grande parte das terras localizadas na região centro nordeste do atual município de Nova Friburgo, muitos migrantes e seus descendentes passaram a buscar novos espaços, que poderiam ser mais produtivos. Desta forma, significativas levas de colonos suíços e alemães acabaram adquirindo terras na região que atualmente compreende o município de Bom Jardim, incrementando o desenvolvimento da agricultura neste espaço, com destaque para a produção de café; como também contribuindo para uma maior complexidade sociocultural neste território.


Juntamente, estas levas de migrantes incrementaram o processo de devastação da fauna e flora da região, que seriam registrados pelo viajante Burmeister em meados do século XIX, quando “lamentava que a beleza e a diversidade da Mata tivessem sido sacrificadas no Vale do Bengala e do Rio Grande. Já não se viam veados, macacos e antas”. Os reflexos do vigoroso desmatamento posto em curso na região a partir de inícios do século XIX, e fortemente dinamizado com a expansão da produção cafeeira para a região, ainda podia ser claramente observado em meados do século XX, conforme é destacado no relatório referente ao município de Bom Jardim, na Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, de 1959: O revestimento florístico da região é representado apenas por capoeiras e capoeirões, resultado do devastamento das matas, em épocas remotas, para o plantio do café. É, pois, o município pobre em sua vegetação, muito embora ainda encontrem-se algumas madeiras de lei, como cedro, camélia, peroba, ipê, jequitibá e variedades de plantas medicinais e frutos oleaginosos (IBGE, 1959:).

Paredão ao fundo do distrito de Barra Alegre - Foto: Reprodução da internet

Entretanto, neste aspecto torna-se de crucial importância observar-se os diferentes impactos dos dois sistemas de organização socioprodutivas que coexistiam na região a partir da primeira metade do século XIX. No antigo distrito de Cantagalo dominavam as fazendas escravocratas, promovendo uma verdadeira destruição da floresta. Já nas regiões de maior altitude e com terrenos mais acidentados, em que se destacam três dos quatro distritos Barra Alegre, São José do Ribeirão, Duas Barras, onde não se verificou exploração intensiva do café e de outros gêneros tropicais, a natureza pode ser mais preservada, mas mesmo assim observando-se um significativo desmatamento, também nestas regiões. Somente a partir de meados do século XX observa-se a regeneração de parte destas matas, principalmente nas partes mais elevadas dos morros. Com o constante crescimento populacional da região que atualmente compreende o município de Bom Jardim, a mesma foi elevada a condição de freguesia, em 1857. Conforme relatório do IBGE, de 1959: Esse florescente povoado recebeu o predicamento de freguesia por força do Decreto nº 969, de 13 de outubro de 1857, que estava assim redigido: Artigo 1º - fica ereta em freguesia – com a mesma invocação – a Capela de – São José do Ribeirão – no município de Nova Friburgo.


No período anterior ao último quartel do século XIX a produção de café e demais gêneros agrícolas de menor expressão, produzidas nesta freguesia, era transportada por tropas de muares para a estação da estrada de ferro Cachoeiras de Macacu. O que foi modificado em fins de 1873, com a inauguração de uma estação da Estrada de Ferro Cantagalo na sede municipal de Nova Friburgo, de onde a produção da região passou a ser escoada a partir de então.


A extensão desta Estrada de Ferro para a região que atualmente compreende o município de Bom Jardim parece ter criado sérias controvérsias. Pois, teria sido justamente pelo “fato de se negarem os habitantes da freguesia de São José do Ribeirão a consentir na passagem dos trilhos da Estrada de Ferro Cantagalo por suas terras, receosos de que as fagulhas das locomotivas viessem a danificar suas plantações” que o município tomou o nome de Bom Jardim. Destarte controvérsias existentes, em março de 1875 foi inaugurada a Estação Leopoldina, em Bom Jardim, a qual já estaria em franco funcionamento alguns meses antes de sua inauguração. A inauguração desta Estação teria sido o marco inicial e decisivo do progresso agrícola e comercial, que rapidamente se verificou nestas margens do rio Grande, e foi igualmente o principal motivo para o acelerado crescimento do então pequeno povoado. Com o expressivo crescimento, em 21 de novembro de 1877, foi criado um distrito de Paz no lugar denominado ‘Bom Jardim’.

Pela rua principal de Bom Jardim passavam os trilhos da linha do Cantagalo. Isto acontecia em muitas das cidades do Rio de Janeiro e de outros Estados. Foto: Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, 1958.

Todavia, este vertiginoso crescimento teria sofrido um forte refluxo com a abolição da escravatura no Brasil, em 1888, resultando na derrocada final da economia cafeeira latifundiária escravista do país, que vinham em crise ascendente a partir do último quartel do século XIX. Deste processo resultaram profundas transformações, principalmente na cultura cafeeira, que era a de maior expressão na zona rural da região. Desta forma: as lavouras, em todas as localidades ficaram abandonadas durante algum tempo, mas depois se foram reorganizando aos poucos e mais tarde a produção chegou a nível bastante elevado.

Neste sentido, deve-se observar que grande parte da produção cafeeira na região que atualmente conforma o município de Bom Jardim não sofreu de forma tão drástica com a abolição da escravatura, em vista de a lógica produtiva predominante nas mesmas não ter sido estruturada com mão de obra escrava. Pois Barra Alegre, São José do Ribeirão [que são dois dos quatro distritos que atualmente formam o município de Bom Jardim] Duas Barras e parte do Carmo, onde a influência europeia era forte e o regime escravocrata não tinha lançado raízes tão profundas como noutros recantos da Comarca (de Cantagalo) quase não sofreram o impacto do 13 de maio. Em certo sentido até progrediram mais do que na fase anterior, ampliando seus cafezais e tirando partido da ferrovia a pouco inaugurada para intensificar a produção.

Entretanto, mesmo estas regiões não deixaram de sofrer os impactos do processo de crescente diminuição de produtividade do solo, observável nos cafezais da serra fluminense a partir de fins do século XIX, mas sentido de forma mais incisiva nesta região ao longo dos últimos anos do século XIX e primeira metade do XX.


No conturbado contexto político nacional da última década do século XIX e primeira do século XX, observa-se ter ocorrido intensa movimentação política na região de Bom Jardim. Expressão desta movimentação, conforme destacado no relatório do IBGE, de 1959, foram as constantes redefinições nos marcos políticos administrativos na região: Em 24 de março de 1891, já sob o regime republicano, com a criação do município de Cordeiro, por força do Decreto número 180, Bom Jardim passou a constituir um de seus distritos, sendo desmembrado de Cantagalo. Logo após o Decreto número 280 de 06 de julho deste mesmo ano, vinha criar o município de São José do Ribeirão, tendo sede na povoação do mesmo nome, sendo constituído pela atual freguesia desta invocação, desmembrada do território do município de Nova Friburgo. Pouco tempo, porém, durou esta situação. Pelo Decreto número 1 de 08 de maio de 1892, retificado pelo de número 1-A, de 03 de junho do mesmo ano, foi suprimido não só o município de São José do Ribeirão, voltando a fazer parte de Nova Friburgo, como também – ao qual foi anexado o distrito de Bom Jardim, continuando a pertencer à comarca de Nova Friburgo, como também foi extinto o município de Cordeiro, cujas terras, incluídas as de Bom Jardim, retornaram a Cantagalo. Entretanto, este conjunto de redefinições teria tornado ainda mais complexa a situação político administrativa na região. Assim, ainda em dezembro de 1892, O governo, como que achando uma solução para o problema administrativo daquela região, resolveu, por efeito da Lei que tomou o número de 37, assinada aos 17 dias de dezembro de 1892, restabelecer o município de São José do Ribeirão, ao qual foi anexado o distrito de Bom Jardim, que continuou a pertencer à comarca de Nova Friburgo. No dia 05 de março de 1893, dando cumprimento ao estatuído na Lei número 37, de 17 de dezembro de 1892, que criava o município, foi ele reinstalado, dessa vez, porém, com o nome de Bom Jardim estipulado na legislação. 

Perímetro urbano de Barra Alegre - 4º distrito de Bom Jardim - RJ - Foto: Reprodução da internet

Desta forma, estava então criado o município de Bom Jardim, em 1893, com um número total de habitantes de 13.221. Todavia, poucos anos depois, em 1906, o progresso da região ensejou fosse feita uma nova alteração administrativa na divisão territorial do município, em que, por efeito da Lei número 734, de 21 de setembro de 1906, foi criado mais um distrito de Paz no município de Bom Jardim, sob a designação de 3º, com sede no lugar denominado Barra Alegre. Sendo a Comarca de Bom Jardim criada em 23 de agosto de 1921, Lei de número 1839. Sendo, em 27 dezembro de 1929, a cidade de Bom Jardim, sede do município, elevada a esta categoria, por efeito da Lei Estadual número 2335.


Todavia, em 31 de dezembro de 1943, no contexto da ditadura Estadonovista no Brasil (1937-1945), o nome do município, muito a contragosto de seus habitantes, foi modificado para Vergel, por força da Lei Estadual de número 1056. O que perdurou por um curto período de tempo, retornando a denominação de Bom Jardim em 20 de junho de 1947, em meio as reconfigurações da Constituição do Estado do Rio de Janeiro, denominação que se mantém até o contexto atual.

O distrito de Barra Alegre no município de Bom Jardim, foi colonizado por migrantes internos oriundos das terras das Minas Gerais exploradas pela obsessão provocada pelo ouro, que trouxe grande riqueza para alguns e imensas desgraças para outros. Os primeiros habitantes da região de Pedra Aguda foram da família Tardim. Eles chegaram por volta de 1880 e, em meados de 1940, foram seguidos pelas famílias Maciel e Schot. A principal atividade destas famílias era a agricultura de subsistência. Sua população teve auge na década de 1970, quando foi fundada a escola municipal, exclusivamente para a comunidade.

Esta fase marca o fim do século XVIII e início do XIX. Mas as ricas terras atraíram também famílias que abandonavam as terras do recôncavo da Guanabara, em buscas de terras mais férteis para a plantação de café, então decadente na região do em torno da baía de Guanabara, na primeira metade do século XIX.


A segunda metade do século XIX marca a chegada de imigrantes suíços e alemães ao território que pertencia à Nova Friburgo. No início do século XX foi à vez da chegada dos italianos. Este caldeirão étnico cultural ainda era complementado pelos africanos e seus descendentes, mantidos como escravos até 1888.


O distrito de Barra Alegre fugiu um pouco do contexto traumático sofrido pelas áreas agrícolas no pós-abolição, fim do século XIX e início do XX. Se observa no Distrito de Barra Alegre, a emergência de iniciativas que visam contribuir com este movimento de redefinição da concepção acerca do rural e de sua revalorização, concebidas como sendo de crucial importância na construção de uma sociedade mais equitativa e menos excludente.


O Distrito de Barra Alegre é considerado um dos distritos mais rurais do Município, possuindo um conjunto de vilarejos agrícolas, com uma grande extensão territorial.

Exposição Agropecuária de Bom Jardim em Barra Alegre - Foto: Reprodução da internet

Destaca-se o período a partir de 2006 onde o Distrito de Barra Alegre passou a ser o novo pólo industrial de Bom Jardim, recebendo diversas fábricas e indústrias do setor de plástico e de outros segmentos, que por conta dos incentivos fiscais, baseados na Lei Estadual nº 5.636/2010 (originalmente 4.533/2005, conhecida como Lei Rosinha) que reduzia a 2% o ICMS cobrado das empresas e também das linhas de crédito do Fundo de Recuperação de Municípios Fluminenses que oferecia créditos a juros de 2%, tiveram as condições ideias para se instalarem na localidade.


A chegada das fábricas impulsionou mais um momento de transformação no Distrito de Barra Alegre que com o aumento populacional - em decorrência da imigração de diversos trabalhadores de outras cidades e estados que estavam em busca de melhores oportunidades de trabalho - ampliou o número de loteamentos, de lojas para prestação de serviços, de postos de gasolinas, entre outros.

Essas transformações continuam em curso na região, em consideração a importância da manutenção dos modos de vida que estão presentes nestas localidades, que passa tanto pela preservação do patrimônio material presente nas inúmeras fazendas do Distrito, como também pela manutenção e fomento das manifestações culturais, como as folias de reis, os grupos de mineiro pau, ou pelos processos de produção que respeitam o tempo da natureza como a produção de composta de doces, de remédios caseiros, das broas no forno a lenha ou das farinhas de moinhos d’águas.

Pedra Aguda é um importante símbolo geológico do município de Bom Jardim, na Região Serrana. De acordo com pesquisas geológicas, a Pedra Aguda, no distrito de Barra Alegre, em Bom Jardim, dividiu-se, ficando uma parte aqui e a outra provavelmente em Angola, no continente africano. De acordo com pesquisas, as rochas granito da localidade têm suas origens relacionadas ao continente Gondwana, pois, na região, podem ser percebidas as relações de idade entre as rochas típicas da Pedra Aguda, que são magmáticas. Essas rochas remontam há cerca de 630 milhões de anos e tiveram, como ápice, a formação da rocha Granito de Barra Alegre, há cerca de 580 milhões de anos. | Foto: Reprodução/Redes Sociais

A Pedra Aguda é um importante patrimônio natural de Barra Alegre. Ela remonta o período dos deslocamentos das placas tectônicas. Há registros que toda essa região tem uma importância geomorfológica e os moradores têm conhecimento desse fato. Há placas dos departamentos de estudos do estado espalhadas na entrada para a Pedra Aguda, em São Pedro e em Santo Antônio.



A comunidade no entorno da Pedra Aguda formou-se no ano de 1880, com a chegada da família Tardin, que foram os descendentes dos primeiros colonos suíços que colonizaram Nova Friburgo, em 1818.  Posteriormente, juntaram-se a eles as famílias Maciel e Schot, e desenvolveram, ali, a agricultura de subsistência como principal atividade local. 

A região da Pedra Aguda é marcada pela rica flora e fauna da Mata Atlântica, aliada a reservas particulares de patrimônio natural e à vida simples da população rural, conhecida principalmente pelo cultivo de inhame. Além de atrair praticantes de montanhismo, escalada e caminhadas, a região também recebe turistas que buscam como destino um lugar de beleza e sossego entre as montanhas.

Nas redondezas encontra-se o Ecomuseu Rural, que é um equipamento educativo de cultura na comunidade; o Refúgio da Pedra Aguda, com piscinas e acomodações rústicas; a Fazenda Jorge Tardin, que dispõe de piscinas de água corrente, toboágua, parque de diversão, passeio a cavalo, restaurante e pousada. Há, ainda, o Rancho Debossan, com piscina e pousada.


Além de Barra Alegre, o 4º distrito de Trajano de Morais é um dos maiores produtores de inhame da região. Trazido da África para o Brasil pelos portugueses, o inhame foi um dos principais produtos agrícolas cultivados na região. O inhame produzido em Ponte de Zinco e região é considerado especial pelo sabor mais acentuado e pela cremosidade.

A comunidade de Serra das Almas está situada no 4º distrito de Trajano de Moraes, proporciona uma ótima qualidade para a realização de esportes radicais. O local de salto de parapentes chama a atenção de quem visita Serra das Almas, quando está planando (voando) dá para ver ao horizonte parte do mar de Macaé e Rio das Ostras. O aceso à Serra das Almas é feito a partir da RJ 146, estrada que liga Bom Jardim a Trajano de Moraes, que, logo depois de Barra Alegre, há um trevo que direciona à simpática localidade de Serra das Almas, que tem uma bela e inclinada estrada que dá acesso a todo o 4º distrito de Trajano de Moraes. Vendo que seu município tem atraído grande número de esportistas, a Prefeitura Municipal de Trajano de Moraes determinou que as secretarias de obras, turismo e agricultura, dessem total apoio aos visitantes.
Share:

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seguidores

Principais Asuntos

barcas (1) brt (1) Caminhos (11) corredores (3) destaque (5) empresas (10) ferrovia (2) ferrovias (2) guanabara (1) intermunicipais (12) Localidades (29) Malha (7) metro (1) mobilidade (9) municipais (2) municipios (1) noticias (11) onibus (20) ramais (1) regiões (8) seletivos (3) staff (3) Terminais (12) trens (3) vlt (1)

Total de visualizações de página


Somos movidos pelo interesse de explorar os meios, modos e regras que integram o sistema de mobilidade urbana no Estado do Rio de Janeiro. O avanço tecnológico tem trazido mais dinamismo nas cidades, fazendo com que a população evolua e acompanhe esse avanço.

Buscamos obter informações, matérias, históricos e projetos de mobilidade e transformação urbana, assim como a realização de visitas técnicas em empresas, concessionárias e instituições relacionadas à Mobilidade Urbana do RJ, cuja perspectiva é abordar temas mais diversos e estar inteirado no que há de vir nos serviços de transportes.


As Mais Lidas

Postagens Recentes