Caminhos Industriais: Região Serrana - Do minério, da Cervejeira e hortifrutigranjeira

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A região serrana constitui uma área um pouco diferente das demais, no que se refere ao clima e à população. As terras elevadas das serras do Mar e da Mantiqueira correspondem ao clima tropical de altitude, onde as temperaturas mais baixas atraíram turistas desde a época do Império.

A Posse já era um local de trânsito pelo menos desde o começo do século XIX, quando o café na região se tornou um produto importante. A abertura da Estrada fez com que se fixasse no lugar um posto de muda, que foi o primeiro núcleo conhecido com este nome.  A muda da Posse era a estação mais importante da estrada, milhares de mulas se encontravam para carregar e descarregar, descansar e seguir seu caminho. Já no século XX, o lugar atraiu a atenção do presidente Getúlio Vargas, que costumava passar temporadas em uma fazenda que possuía no Brejal. Hoje em dia a Posse atrai pessoas que fogem do barulho da cidade grande e que buscam um recanto com bom clima, tranqüilidade e simplicidade.

No século XIX, a presença de imigrantes suíços e alemães trouxe características próprias a algumas áreas da região serrana. 

Podemos observar grandes diferenças entre os municípios da região serrana no que se refere ao desenvolvimento humano e econômico, Petrípolis, Nova Friburgo e Teresópolis apresentam dados mais favoráveis de condições de vida.

A Serra do Capim abriga uma das unidades fabrís da Cervejaria Petrópolis. Localizada no interior de Teresópolis, entre o limite com São Josédo Vale do Rio Preto e margeada pelo Rio do Pião, Serra do Capim possui muitas lavouras e fazendas de gado. A cervejaria, emprega grande quantidade de moradores, nm local super agradável que vale uma parada para conhecer. O acesso é pela rodovia Rio.

A serra do Mar forma um paredão que se estende por grande extensão, junto ao litoral brasileiro. Forma-se uma sucessão de montanhas, que recebem denominações locais, como a serra dos Órgãos, em Teresópolis. O clima ameno e a presença da Mata Atlântica em algumas áreas completam a paisagem e dão identidade à região.

A 31 quilômetros de Nova Friburgo fica o distrito de Lumiar, que, juntamente com São Pedro da Serra e Boa Esperança, formam uma área atraente para os praticantes da canoagem. O rio Macaé corta a região, criando locais de vegetação exuberante, com águas limpas e muitas cachoeiras. Alguns locais dessa região atravessada pelo rio Macaé, como o Poço Feio e o Poço do Alemão, são muito procurados para banho e pela paisagem.

Conselheiro Paulino é o segundo Distrito mais industrializado do município de Nova Friburgo. A Localidade foi levada a condição de distrito em 1952 e hoje desponta como força econômica de Nova Friburgo. Com uma população estimada de 40 mil habitantes, está conurbado com o centro de Nova Friburgo, e apresenta uma tendência desta conurbação em direção norte, ao distrito de Riograndina. É responsável por uma significativa parte do PIB da cidade e é também o distrito que mais apresenta crescimento, devido, principalmente, à concentração de indústrias, em sua maioria metalúrgicas/siderúrgicas.

A partir de 1910, Nova Friburgo, que, até então, devia o seu progresso ao desenvolvimento da agricultura e ao seu clima seco ideal para município de veraneio, viu chegar vários cidadãos de iniciativa, tais como Conselheiros Julius Arp, Maximilian Falck e William Peacock Denis, que foram os pioneiros da era industrial friburguense, provocando o surto de progresso verificado até meados da década de 1980.

Os investimentos por conta da industrialização da região serrana pararam a medida que o grande negócio passou a ser a extração de petróleo na Bacia de Campos; o grande parque industrial não saiu do papel, a ideia de tornar Nova Friburgo um polo regional com rodovias de proporções e estruturada para absorver o desenvolvimento, a melhoria dos meios de comunicação com as cidades do Rio de Janeiro e Niterói demoraram anos e a indústria de turismo incorporou-se às demais fontes de renda da municipalidade.


Com a mineração, foram fundados inúmeros centros urbanos, não apenas na região das minas, mas também ao longo dos caminhos que ligavam as áreas produtoras ao litoral. No chamado "Caminho Novo", que ligava as minas diretamente ao Rio de Janeiro, surgiram vários núcleos urbanos. No século XIX, uma reforma no Caminho Novo transformou-o na estrada União e Indústria, ligando Petrópolis a Juiz de Fora. Essa estrada foi inaugurada em 1861 e foi considerada a melhor estrada da época, pois tinha pedra britada em seu leito.

Desde 1960, as terras cantagalenses foram alvo de pesquisas de seu potencial do calcário. O engenheiro civil Penalva Santos realizou sondagens na Fazenda Val de Palmas, que estavam a cargo da empresa Tecnosolo, empresa especializada na atividade. As empresas Polysius, Montreal Construtora Engenharia e a Companhia de Cimento Portland Paraíso (CCPP) realizaram conjuntamente o projeto de execução e implantação da fábrica Alvorada na região. A Fábrica Alvorada foi a pioneira na região Centro Norte, iniciando suas atividades no dia 28 de novembro de 1970, com uma produção de 3.002.100 sacos de cimento no período de 01 de janeiro a 30 de setembro de 1971. O pecuarista, ex-prefeito de Cantagalo e ex-secretário de Agricultura do Estado, João Carlos Burguês de Abreu, foi o grande desbravador da exploração de calcário na região. Ele concedeu isenções municipais para a instalação da indústria cimenteira, intercedendo junto aos governos federal e estadual para que o Polo Cimenteiro de Cantagalo saísse do papel.

Em 1808, D. João VI, já no Brasil, assinou um decreto que permitia ao estrangeiro ser proprietário de terras em nosso país. Esse fato explica um pequeno fluxo imigratório para o Brasil, como o que ocorreu em 1818, quando um grupo de 261 famílias suíças se dirigiu para a região serrana do atual estado do Rio de Janeiro. Foram morar nas terras da fazenda Morro Queimado, onde fundaram Nova Friburgo, com subvenção do governo de D. João VI.

Para receber os imigrantes, foram construídas residências, capela, armazém e farmácia. Além dos lotes, os colonos receberam animais, alimentos e sementes para começar a colônia. Em 1824, um novo grupo veio da Alemanha para a pequena Nova Friburgo, que assim foi adquirindo características da cultura européia na arquitetura, culinária e festas típicas.

A Região tem forte tradição agrícola e é um dos maiores produtores de café da região, forte fornecedor de hortaliças, e de legumes, com a ênfase no inhame, amplamente produzido no distrito de Barra Alegre. Na década de 1980 já fora classificado como maior produtor mundial de inhame (por hectare quadrado). É influenciado pelo forte pólo industrial de lingerie da região de Nova Friburgo. É comum haver produção de insumos para aquela indústria, e também muitas fábricas no município que prestam serviço terceirizado para as fábricas maiores das cidade vizinhas. Há cerca de oito anos há um projeto de instalação de grandes indústrias na cidade, principalmente no 4º distrito, de Barra Alegre. Já há um campo de capacidade de cerca de oito grandes fábricas, e política de incentivos fiscais para as fábricas lá se instalarem e urbanizarem a região. Há hoje nesse campo 4 fábricas, do setor de bebidas e produtos plásticos, além de fábricas menores em toda a cidade, principalmente do ramo têxtil e alimentício.


Na ocupação da região serrana destaca-se um eixo de urbanização que se formou pelo interior da serra do Mar, de Rio Claro até Cantagalo, passando por Petrópolis, Teresópolis, Nova Friburgo, Bom Jardim e se dirigindo a Cantagalo. Trata-se de uma área marcada por um intenso processo de transformação que se deve não só aos impactos do turismo e do veraneio, mas também a uma forte atividade agrícola e industrial.


Eixos de urbanização no Rio de Janeiro


Em 1854, partiu do Porto da Estrela, ao fundo da baía de Guanabara, a primeira ferrovia do país, chegando até a raiz da serra, no caminho de Petrópolis, que já constituía o refúgio de verão do imperador D. Pedro II e dos barões do café.

Soledade é a localidade onde nasce o Rio Paquequer. Essa seria a última região a ser ocupada ao longo da história de Sumidouro. Mas isso não significa que haja um atraso com a relação as demais localidades nos dias atuais. Pelo contrário, podemos dizer que Soledade representa a face moderna da agricultura sumidourense. Sumidouro demograficamente resistiu ao descalabro geral da Serra com a abolição e o declínio da cultura do café. Historicamente, a economia da localidade se restringiu às culturas do café, milho, feijão, batata e outros, com emprego de escravos. Mesmo com a abolição da escravatura, em 1888, a economia local ainda manteve o crescimento por algum tempo e em 10 de junho de 1890, ocorreu a elevação da vila de Nossa Senhora da Conceição do Paquequer e criação de novo município, já com o nome de "Sumidouro". Na primeira metade do século XX, a economia não se desenvolveu muito, dada a precariedade dos meios de transporte e de comunicação. A despeito dessa relativa estagnação, a sede do município foi elevada a cidade em 27 de dezembro de 1929.

Fica bastante evidente que as cidades da região serrana mais próximas da região metropolitana – Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo – com melhores vias de acesso e meios de transporte mais eficientes tiveram maior desenvolvimento, estabelecendo, assim, contrastes marcantes entre os municípios da região.


Em relação ao turismo, desde o século XIX havia um movimento de veranistas que fugiam do verão carioca e procuravam as temperaturas mais baixas da serra, a começar, como você viu, pelo próprio imperador. Desde os fins do século XIX, os municípios da região serrana desenvolviam atividades ligadas à produção de hortifrutigranjeiros para o mercado da metrópole.

Por ter uma vocação rural, muitas das estradas vicinais dos distritos de Bom Jardim não são asfaltadas. Mesmo assim, os centros urbanos dos distritos são ligados por estradas de rodagem, e as principais ruas são com asfalto graças ao programa "Asfalto na Porta" do Governo do Estado do Rio de Janeiro. O acesso ao município é feito principalmente pela RJ-116, passando por Nova Friburgo, cidade mais próxima. Outras vias de acesso são a RJ-144 (Bom Jardim - Carmo), a RJ-146 (Bom Jardim - Trajano de Moraes), a RJ-150 (São José do Ribeirão - Amparo (distrito de Nova Friburgo)) e outras estradas de acesso a Riograndina, Macaé, Drº. Elias (Distrito de Trajano de Moraes), Monnerat (Distrito de Duas Barras) e Cordeiro. Até os anos 1960, o município era cortado por uma importante ferrovia, a Linha do Cantagalo da Estrada de Ferro Leopoldina, que escoava toda a produção de café das fazendas da região além do transporte de passageiros, ligando a cidade aos municípios de Itaboraí e Itaocara, passando por cidades vizinhas como Nova Friburgo, Duas Barras (pelo distrito de Monnerat) e Cantagalo. Os trens de passageiros circularam pela última vez na cidade em 1964. No ano seguinte, circularam os últimos trens de carga, culminando na desativação da linha férrea. Em 1967, os trilhos foram retirados da cidade. Sua antiga estação ferroviária atualmente abriga o terminal rodoviário intermunicipal da cidade.

Até hoje, as atividades de veraneio e turismo estão ligadas à horticultura. Ao mesmo tempo que cresce a produção hortigranjeira, aumenta o número de pousadas, sítios e hotéis-fazenda, nos quais as atividades agropecuárias servem para satisfazer parte das necessidades desses empreendimentos, fornecendo produtos para o preparo das refeições dos hóspedes e vendendo diretamente para os veranistas.


Na região serrana, aparecem atualmente pólos de produção, áreas que concentram produção significativa num determinado setor. Destacam-se o pólo de tecnologia da informação em Teresópolis e o pólo de confecções em Bom Jardim. Os produtores de algumas áreas se organizam em arranjos produtivos locais – APLs – que incluem até mesmo processos de qualificação profissional de mão-de-obra.

Em 1895, gestão de Hermogêneo Silva, Petrópolis criou seu primeiro transporte coletivo com a implantação de linhas de bonde de tração animal. A primeira linha ligava a estação ferroviária do núcleo urbano até o atual distrito de Cascatinha. A segunda linha seguiu do mesmo núcleo urbano até o atual bairro Alto da Serra, depois outras linhas para os atuais bairros Mosela e Bingen foram inauguradas, sempre com tração animal. Em 1898 esse transporte foi interrompido, retornando em 1912 com a inauguração de bondes elétricos para 32 lugares, explorado pelo antigo sistema CBEE. A energia elétrica vinha da usina de Alberto Torres, no rio Piabanha, no município de Areal. Não se sabe ao certo quando e por que a vila encrustada entre Areal e Três Rios passou a homenagear Alberto Torres, que nasceu a partir da vinda de engenheiros e técnicos para instalar a estaçao geradora da localidade. A energia que emana de Alberto Torres começou a ser construída no ano de 1905 numa faixa de terra nas duas margens do rio Piabanha, incluindo as quedas d’agua. No ano seguinte, o governo fluminense autorizava a Guinle a construir uma usina no local.

O BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e o Sebrae estão desenvolvendo em cinco municípios – Nova Friburgo, Duas Barras, Cordeiro, Bom Jardim e Cantagalo – um projeto de referência para o pólo de confecções que inclui a criação do Conselho de Moda e procura preparar empresas para o mercado internacional.

A expansão de Nova Friburgo se dá em dois eixos: um, em direção a Bom Jardim e outro, ao longo da estrada em direção a Teresópolis. Na estrada Teresópolis–Friburgo destacam-se a produção pecuarista e de hortigranjeiros, aparecendo também vários hotéis e pousadas. Nessa estrada foi instalada a queijaria-escola, que começou a funcionar em 1987. Lá são oferecidos cursos profissionalizantes que vêm melhorando a mão-de-obra local e introduzindo a criação de animais não-tradicionais na região, como a cabra, para a fabricação de queijos.

O povoamento do Arraial do Carmo de Cantagalo iniciou-se em 1842. Em 1846, a localidade passou a chamar-se Freguesia de Nossa Senhora do Monte do Carmo. A partir da segunda metade do século XIX, as terras dessa região exerceram grande atração aos colonos, em busca de solos férteis para atividades agrícolas. O desenvolvimento promovido pelo cultivo do café e sua comercialização determinaram a criação do município de Carmo, em 1881, cujo território foi desmembrado do município de Cantagalo. A sede municipal passou a denominar-se Vila do Carmo e atingiu a categoria de cidade em 1889. O sítio urbano, onde se instalou a cidade, caracteriza-se pela sucessão de colinas em meia laranja, paisagem típica da região do planalto fluminense. Em torno da capela de Nossa Senhora do Carmo, no alto de uma das colinas da área, organizou-se a atual área central. Com a decadência da economia cafeeira, a partir da década de 30, a cidade passou por um período de crescimento lento, ocorrendo loteamento das fazendas próximas ao núcleo. Nas últimas décadas, a implantação de pequenas indústrias estimulou o surgimento de bairros residenciais nas encostas dos morros vizinhos ao centro. Em 1922, iniciou-se a construção da Usina Hidrelétrica da Ilha dos Pombos, no Rio Paraíba do Sul, que ainda hoje é visitada por muitos turistas à procura dos animais silvestres que ali vivem.


O desenvolvimento Macuco deve-se, principalmente ao Barão de Nova Friburgo; responsável pela execução da malha ferroviaria para escoar a produção cafeeira de suas fazendas e região para a cidade do Rio de Janeiro -então capital do Império- em meados de 1860. Bernardo Clemente Pinto, cantagalense, adicionou ramais a primitiva ferrovia, prosperando o povoado de Macuco. O povoamento teve origem nos arredores fazenda Cordeiro graças aos fluxos de colonização que se dirigiram para a localidade de Macuco e, também, de Cordeiro.

A localidade ganharia um forte impulso econômico após a construção de um curto ramal ferroviário de 20 km da Estrada de Ferro Cantagalo em 1885, que o ligava ao distrito vizinho de Cordeiro na época, escoando toda a produção cafeeira da região, além do transporte de passageiros. O Ramal de Macuco seria repassado à Estrada de Ferro Leopoldina em 1887, que durante a primeira metade do século XX, expandiria seu foco de negócios do café para o ramo da agropecuária, passando a atender a Cooperativa Regional de Macuco (até a extinção do ramal na década de 1960).

A Cooperativa Macuco foi implantada após a inauguração da linha férrea que, depois de chegar a Cordeiro, seguiu de fato para Macuco, já que o projeto aprovado para a concessão rezava que deveria ir até Santa Maria Madalena, município a que a esta estação pertencia na época, passando pelo município de Cantagalo. Nessa época a lavoura de café predominava na região, o que trazia muitos fretes para a ferrovia. Em 1890 a estrada já pertencia à Leopoldina, porém como a monocultura do café exauria o solo deixando-o fraco para outras culturas e não existia tecnologia de recuperação, a lavoura ia procurando terras aptas para novas lavouras. Em virtude deste fato os fretes que advinham do café deixaram de existir. Dessa forma o prolongamento da linha até Santa Maria Madalena estava fadado ao fracasso. Esse foi o motivo que levou a companhia (Leopoldina) a adquirir uma grande área próxima a Macuco, onde implantou uma grande fazenda produtora de leite e carne bovina. A estrada fez este investimento para negociar com o governo a não construção da continuação da linha de acordo com o projeto. A Leopoldina, tentando recuperar a rentabilidade da ferrovia, decidiu implantar na região a agropecuária. A fazenda (modelo) pois foi cedida a fazendeiros locais. Chama-se Fazenda Benfica. Esse embrião lançado pela ferrovia criou raízes e Macuco passou a liderar a produção de leite e derivados na região. Da mesma forma hoje em Cordeiro ainda há criação de gado Guzerá de grande fama. Dessa forma, o transporte de leite junto com o de passageiros tornou a ferrovia menos deficitária. Em 1969 a linha já não funcionava.

O desmoronamento do ciclo do café fez com que a região do Rio Preto, a exemplo de outras, sofresse um período de retrocesso econômico. Casas comerciais se fecharam, o que afetou diretamente o crédito agrícola, os trilhos da via férrea foram retirados, as grandes fazendas foram despovoadas e a política dominante dos proprietários de terras entrou em declínio.

Muitas famílias venderam os seus bens e foram para outras regiões. Um novo ciclo econômico foi paulatinamente se instalando no Sertão de Serra Acima de Inhomirim (São José do Vale do Rio Preto), através da avicultura que trouxe de volta o desenvolvimento e representou, a princípio, um fator econômico altamente socializante, pois as famílias com o manejo fácil de 3 ou 4 galinheiros, podiam ganhar o seu sustento, com a participação da mulher e dos filhos e ainda deixando livre o chefe da família para exercer outra atividade paralela.

A povoação dos Sertões do Rio Preto se deve, em princípio, à proximidade com os caminhos para as Minas Gerais e com o mercado consumidor da então capital, Rio de Janeiro. Entre estes dois pólos de desenvolvimento, muitas de suas estradas foram vias de escoamento da produção das fazendas originárias das antigas sesmarias distribuídas na região, que remetiam os seus produtos para o Rio de Janeiro ou para as Minas Gerais. Algumas estradas serviam, também, como desvios para os carregamentos de ouro que não queriam passar pelos registros. O bairro do Rio Bonito está localizado na divisa entre Petrópolis e São José do Vale do Rio Preto. Cortado pela RJ-134 Rod. Bianor Esteves, o bairro se prolonga entre São José do Vale do Rio Preto e à Posse, atual 5º distrito Petropolitano. Até a década de 1960, Posse fazia parte dos distritos de Pedro do Rio é São José do Rio Preto, que se emancipou de Petrópolis. Com essa divisão, a comunidade rural do Rio Bonito teve seu território também repartido.

O ciclo da avicultura harmonizou-se com a agricultura, com o fornecimento de adubo para a lavoura. A olericultura tomou grande vulto na economia riopretana. De 1950 a 1960, no auge da avicultura, São José do Rio Preto foi considerado o maior centro avícola da América do Sul.

A cidade de Teresópolis, situada na serra dos Órgãos, também tem tido um rápido crescimento urbano. Embora tenha menor quantidade de movimentos pendulares do que Petrópolis, sua ligação com o Rio é grande. Tendo também o turismo como atividade principal, a indústria aparece em menor escala. O Parque Nacional da Serra dos Órgãos, que abriga o Dedo de Deus e a Pedra do Sino, recebe muitos turistas.


As áreas de Trajano de Morais, São Sebastião do Alto, Sumidouro, Carmo e Santa Maria Madalena destacam-se nas atividades pecuaristas e na produção de hortigranjeiros. Em algumas áreas, como no Alto Rio Grande, pertencente ao município de Nova Friburgo, predominam os pequenos sítios cultivados pelos proprietários e, sobretudo, meeiros, e neles se observa algum desenvolvimento tecnológico, com o uso de tratores, defensivos agrícolas e sementes selecionadas. 

Na década de 30, no Município de Trajano de Morais, o café já não era a única fonte de riqueza. O ciclo cafeeiro entrara em decadência, mas, em compensação, alguns distritos começavam a se transformar em grandes produtores agrícolas. Dentro desse quadro, um fato novo veio modificar definitivamente a história e a geografia de Trajano de Morais: a construção de uma barragem para servir ás Usinas Hidrelétricas de Macabu e Glicério. O Rio Macabu foi escolhido por sua privilegiada posição. As Usinas de Macabu e Glicério, movidas por suas águas, gerariam energia suficiente para atender ás necessidades de Trajano de Morais, Santa Maria Madalena, Macaé, Campos, Nova Friburgo, Itaperuna, Araruama, São Pedro da Aldeia, Cabo Frio e outras localidades vizinhas. Em 1939, após demorados e minuciosos estudos, iniciou-se a construção da barragem, sob clima de epopéia para os habitantes de Trajano de Morais. A concorrência para a construção foi vencida pela empresa Bratac, de origem japonesa, que iniciou seus trabalhos em 21 de setembro de 1939. Pouco mais de dois anos depois, quando o Japão entrou em guerra contra as forças aliadas, o contrato com a Bratac foi rescindido. Em 1941 foi cancelado o contrato com os japoneses, e em março de 1942 criou-se a Comissão Central de Macabú pelo governo do estado pra dar continuidade as obras.


Entretanto, apesar dessa modernização, a situação dos trabalhadores rurais permanece ruim. A freqüência nos horários de ônibus para o centro de Friburgo facilita o deslocamento para estudo e trabalho. A Ceasa fica perto, mas a maioria dos agricultores depende dos intermediários que controlam a comercialização.

O subsolo rochoso do município de São Sebastião do Alto é composto principalmente por granito e gnaisse. Também são encontrados berilo, manganês, minério de ferro, talco, giz, caulim e mica. A parte ocidental do município possui jazidas calcárias da região do Rio Negro, situadas em uma cordilheira que se estende por até 25km, entre o Rio Negro e a RJ-116. Na década de 1980 foram realizados estudos para implementação de uma indústria cimenteira no município, inclusive com conversas com um grupo peruano para exploração. Entretanto, o Governo Federal não autorizou a implantação da fábrica.

São Sebastião do Alto foi desbravada em 1770, com a chegada de diversos aventureiros às margens dos rios Grande, Negro, Macuco e afluentes, atraídos pela febre do ouro. No planalto da serra “Deus-me-livre”, ponto obrigatório de passagem das tropas que se dirigiam a Macaé, procedentes de Cantagalo e até de Minas Gerais, surgia em 1840, o arraial de São Sebastião do Alto. Vivia sua época de esplendor, com latifúndios baseados na mão-de-obra escrava e na monocultura do café.  O fim da escravidão deixou, no entanto, as fazendas desertas e é nesse momento que alguns imigrantes italianos foram cooptados para substituir a mão de obra escrava. Mas São Sebastião do Alto não se reergueu, pois a estrada de ferro passava longe das fazendas e o sistema de tropas de mulas para transporte do café tornava sua produção não competitiva. Assim, muitos fazendeiros trocaram suas atividades e passaram então para outro ramo: a pecuária. Transcorridos muitos anos, em 1953, Valão do Barro ainda apresentava aspecto colonial. No interior fluminense, muitas cidades pequenas ou decadentes viveram fase de esplendor no passado. Valão do Barro, hoje um remoto lugarejo, é um exemplo de cidade que guarda muito pouca permanência de seu passado glorioso.


Observa-se, nessa área, além das inovações tecnológicas, a especialização em produtos de alta qualidade, produzidos sob encomenda e destinados a pequenas fatias de mercado, formadas por veranistas, turistas ou moradores de alta renda. Na atual dinâmica econômica da região serrana, percebe-se uma ligação entre as atividades turísticas e a agricultura familiar. Essa solução representa apenas uma estratégia de sobrevivência ante a crise imposta ao agricultor pela expansão do turismo, veraneio e lazer, e conseqüente urbanização do meio rural.

A área hoje denominada Meio da Serra era, como o próprio nome indica, a metade do trecho da serra de Petrópolis, a partir do município de Magé. No século XIX, estas áreas foram ligadas por uma via férrea, que ia da estação da Raiz da Serra (Vila Inhomerim), inaugurada em 1856, passando pelas estações do Meio da Serra e Alto da Serra, até a estação de Petrópolis, todas inauguradas em 1883. As novas estações férreas facilitaram o acesso à Cidade Imperial, uma vez que a estação da Raiz da Serra se unia à estação do Porto de Mauá, rumo ao centro da cidade do Rio de Janeiro. Assim, a estrada de ferro possibilitou o desenvolvimento industrial do município de Petrópolis, onde à época, instalaram-se diversas fábricas de tecidos, tais como a Imperial Fábrica de Tecidos São Pedro de Alcântara (1871), a Companhia Petropolitana de Tecidos (1873), a Fábrica de Tecidos Dona Isabel (1889) e a Fábrica Cometa (1903). A indústria têxtil motivou o crescimento demográfico de bairros como Bingen, Cascatinha, Morin e Alto da Serra, cujas instalações e vilas operárias incorporaram-se à própria imagem da cidade. A Cometa Petrópolis, fundada em por Manoel José Amoroso Lima, mantinha sua sede no bairro Alto da Serra, com um patrimônio imobiliário de aproximadamente sete milhões de metros quadrados, em área contígua, impulsionando o desenvolvimento local e gerando vários empregos. A sucursal do Meio da Serra foi construída no lugar da antiga Fábrica de Papel Orianda. A Cometa foi fundamental para a ampliação urbana daquela região, pois grande parte das casas foi construída pela empresa para abrigar seus empregados e suas respectivas famílias.





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